Friday, December 28, 2007

disco dance - lesson 1º

william forsythe
"fazer da arte uma testemunha do irrepresentável"
kant

Thursday, December 27, 2007

you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild you drive me wild

Monday, December 24, 2007

multiply

Fred Astaire

Thursday, December 20, 2007

Ah! faz amor. como podemos ver Ah! faz muito amor. Ah! acredita que fazendo amor ele sabe. Ah! conhece através do amor. ele diz: para tocar no conhecimento é preciso fazer amor. fazer amor é a chave do conhecimento. aquele que nao trepa nao conhece nada. aquele que nao devora nao conhece nada. aquele que nao come regularmente o corpo dos outros nao conhece nada. disse Ah! Ah! disse: é preciso descer e comer o outro regularmente. é preciso devorar os dedos do pé do outro. é preciso devorar seus joelhos. é preciso comer o seu sexo. seus seios. sua boca. seu cù. é preciso devorar seu ventre. tudo que se pode alcançar com a boca é preciso ter, é nosso. é preciso lamber chupar lamber e chupar de novo, entao disse Ah! em seguida o céu se abre e o que devemos conhecer nòs conhecemos. Ah! disse: isto nao està nos livros. isto nao é o livro, é verdade. é no ventre da minha amada no ventre do meu amado na sua boca e sua boceta seu cù e seu pau que se chega là onde eu conheço.

toute la vie § pascal rambert
traduzido por mim

Saturday, December 15, 2007

Wednesday, December 05, 2007

La Feuille
performance d’Emmanuelle Huynh et Nicolas Floc’h / avec Emmanuelle Huynh, Nicolas Floc’h, Nuno Bizarro, Joao Costa Lima et Laurie Peschier Pimont
Des monochromes polymorphes flottent, se dressent, s’évanouissent dans l’espace vide…
Après avoir travaillé ensemble pour la pièce Numéro, Nicolas Floc’h et Emmanuelle Huynh continuent avec La Feuille de confronter leurs visions de l’espace.

hoje no teatro Le Quay às 20h30

Tuesday, December 04, 2007

serge gainsbourg vs whitney houston

"i said i want to fuck her"

Sunday, December 02, 2007

obvio ululante

1. qual é a diferença entre o coelho?
a orelha direita. a esquerda também, mas sobretudo a direita.

2. existem três tipos de pessoas:
as que sabem contar e as que nao sabem.

3. to buy or not to buy, that is the question.

4. qual a diferença entre um urubu? ele é mais escuro.

hoje é domingo, pé de chachimbo, cachimbo é de ouro, bate no touro, o touro é valente dà no tenente, tenente é fraco, cai no buraco, buraco é fundo, acabou-se o mundo.

Wednesday, November 28, 2007

Réservé au Personnel

uma criaçao de Muriel Bourdeau, Béryl Breuil, Joao Costa Lima, Fanni Futterknecht, Julien Herrault, Johann Maheut, Raphaël Michon, Javiera Peon-Veiga, Carmen Pereiro Numer, Laurie Peschier-Pimont e Lautaro Prado
com o acompanhamento de Loic Touzé e Jan Kopp

estreou ontem e segue em apresentaçoes até sabado no Centre National de Danse Contemporaine D'Angers

<Tu voudrais réinventer le rôle du public en regardant à travers mes paupières?
Non, je ne veux pas croire a l'échec du langage! Même avec une loupe très très forte et un couteau très très pointu, c'est toujours l'arme qui fait la différence.
Se battre, c'est fatiguant... Ne pas se battre, c'est fatiguant...
Et les responsabilités de ton travail sont très fortes, je risque au moins d'abîmer ta réputation.
Pourquoi est-ce que je ne bouge pas?
Tu ne bouges pas parce que je suis écrasé par le consensus...
Parce que tu es vivant.

Où sommes-nous, nous qui vécûmes heureux et eûmes beaucoup d'enfants?
À Mexico.
Est-ce qu'une image existe pour elle-même au Mexique?

Je suis l'ogre.
Où se cache la terreur?
Comment faire pour endormir le public et qu'il soit enchanté a la fin?>>

Sunday, November 18, 2007

ABRACADABRA

voz
a vida adivinhada por dentro
imensa brecha entre o dia e a noite
encarnada, intimamente estranha
inumana

ser o gesto
habitado por tudo que nao se contém
de todos os lugares onde nao se està
permeàvel irredutivel vulneràvel
olhando para si, para alguém, para todos

cores sonoras

afecçoes em afeto
um devir outro tanto de si mesmo
apetite do sensivel, novo possivel
aquilo que nao se renuncia
o grito da terra que desce-subindo

até o corpo

impasses
pedras, cordas e ventos
retratos do pensamento

permanecendo em mistério

Thursday, November 08, 2007

Monday, November 05, 2007

"quando paramos de cantar paramos de respirar"

julio iglesias

Sunday, October 28, 2007

pensei num mundo sem memoria, sem tempo; considerei a possibilidade de uma linguagem que ignorasse os substantivos, uma linguagem de verbos impessoais ou de adjetivos indeclinaveis. assim foram morrendo os dias e com os dias os anos, mas algo parecido com uma felicidade ocorreu uma manha. choveu, com poderosa lentidao.

borges

lego concentration camp



concebida pelo artista polaco Zbigniew Libera, a obra "lego concentration camp" consiste em 7 kits diferentes onde cada um contém as peças necessarias para a montagem de uma seçao de um campo de concentraçao.

um incrivel jogo de criatividade e destruiçao, uma brincadeira entre a brutalidade e a banalidade. adquira o seu agora!

Thursday, October 25, 2007

engrenagem, fabricando movimentos até o infinito
vàlvula em sucessao, simultaneidade e permanência
maior do que a vida e ainda tao minuscula

e o horizonte se distancia quando o sujeito avança
e o horizonte està tao perto que nao pode ser visto

na mao, uma tesoura recorta o invisivel.

e as crianças se beijam
e as crianças se beijam
e as crianças se beijam

é chegada a hora de parar de fingir que nao se espera

uma ilha desce pelo esôfago
era uma vez






annie sprinkle

Tuesday, October 23, 2007

la folie

il est fou
elle est folle

Friday, October 19, 2007

Sunday, October 14, 2007

renault X sísifo



"só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia"

quatro funcionários da Renault se suicidaram em apenas um ano.

"os deuses tinham condenado Sísifo a rolar um rochedo incessantemente até o cimo de uma montanha, de onde a pedra caía de novo por seu próprio peso. eles tinham pensado, com as suas razões, que não existe punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança(...)assim, convencido da origem toda humana de tudo o que é humano, cego que quer ver e que sabe que a noite não tem fim, ele está sempre caminhando. o rochedo continua a rolar(...)

é preciso imaginar Sísifo feliz."


a. camus

Thursday, October 11, 2007

jà escuto o teu sopro.

Thursday, October 04, 2007

the power of masturbation


"There's no greater antidote for war than love. Feelings of hatred and distrust form the necessary basis of armed confrontation. Replace those negative feelings with love and you're halfway towards resolution of any conflict.

However, any real love must start from within. You can't love others without loving yourself first. And, of course, masturbation is the greatest expression of self-love. So it's natural that we, the citizens of the world, are joining together to masturbate for peace.

Joining this movement is simple. Just masturbate in your own way, focusing your thoughts and energy towards love and peace. Encourage others to do the same."

www.masturbateforpeace.com
a poesia é a grande inimiga do acaso, embora sendo também filha do acaso e sabendo que o acaso em ultima instância ganhará a partida.

i. calvino

Thursday, September 27, 2007

Tuesday, September 25, 2007




do vermelho
sangra em silhuetas sabendo simples
làbios mordidos
desdobra em si o que foi e serà
impermeàvel imprevisto
vestìgios
informando a forma, assumindo, sumindo
olha, o fio, para nao ser visto
sagrado, sugere sugerindo sugestao sujeita
o flagra, em pedaços
insòlito
singelo sabor
seu

Monday, September 17, 2007

quase, e por razões desconhecidas continuamos. o que queria dizer me escapa, ter um corpo só não basta e esta voz nao me pertence. assim, invento e reinvento, desdobro e repito, caio para levantar e logo cair de novo. as perguntas aparecem e voltam a aparecer.

um sentido religioso qualquer. o sagrado-profano que todos procuramos é o mesmo, mesmo que em lugares, momentos e de formas diferentes. sinto um misto de espanto e alegria ao perceber que somos tão semelhantes e tão, tão imensamente diferentes. o que será que nos une? duvido um pouco das respostas, mas parece-me que o que nos mantém vivos é e será sempre pròximo. nossos alimentos são estes prazeres e impulsos (extra)ordinários, simples, e é na composição desta sede onde encontramos a liberdade mais íntima. é através das diferenças que toca-se àquilo que nos é mais próprio. os intervalos, as ambigüidades e contradições, as dúvidas e hesitações revelam a nossa experiência no tempo e espaço. mas... o que será que nos une?

aqui, perdido no mundo, procurando juntar as peças deste quebra-cabeças absurdo, as interrogaçoes nao param de surgir. para onde vamos? e vamos juntos, todos? alguém vai ficar pra trás? e por que? será que estamos longe demais uns dos outros? o que nos mantém vivos? o que é que nos permite continuar? que estranha força é esta que nos empurra pra frente? mesmo estando sempre à beira (do abismo, de um colapso, das guerras, da morte, da paralisia, do esquecimento, da falta de sentido total) algo nos provoca o canto e o encanto, algo nos convida para o movimento, para a construção de pontes, invisíveis ou não. loucura ou lucidez, seja lá o que este algo for, que abençoe a todos, como um vento sublime, um sopro que nos faz "EMPURRAR AS PAREDES QUE NOS CERCAM PELO LADO DE DENTRO". infinitamente.

eu, alguém, o outro. alguém, o outro, eu. o outro, eu, alguém.

e a natureza perfila o destino do mundo. entre ecos e murmúrios anônimos somos causa e consequência, agimos e reagimos ao todo que nos rodeia. não há segredos, no entanto tudo é tão misterioso.

Saturday, September 08, 2007

Monday, September 03, 2007




silver mt. zion and the tra-la-la band é uma banda estranha que conheci há pouco tempo. fazem um som difícil de definir: usam guitarras e violinos, compõem arranjos simples e rasgados e tem letras fortes, irônicas e comoventes. os vocais são intensos, variando entre gritos e murmúrios, de uma loucura particular, quase desafinada, bem ritualista. tudo muito bonito, com um feeling especial e... bem, definições não interessam pra nada, música é para os ouvidos e às vezes também para a alma. esta é para os dois.

Thursday, August 30, 2007

Stockhausen Interview

can you tell me what was the most interesting sound that you ever heard?

real ficção

paulo bilhomens copyright
erwin wurm

Wednesday, August 29, 2007

Monday, August 27, 2007

um mundo. dividido e multiplicado em desenhos variados. pontos, silhuetas de ar em movimento. mundo sem tempo, imortal no seu esquecimento. vazio para uns, cheio para outros. lugar onde ninguém é ninguém, nada é tudo, e assim sucessivamente.

um homem é igual a todos. vive no vácuo, celebrando a nossa tragédia. a grande festa do vento, que começou algures e acabará sem nunca ter fim. aqui dança-se à vertigem, em incessante acumulação de memórias. e sonhos.

o amor em ti sou nós. e desapareço nesta explosão imediata. não esquecendo, sem lembrança. chovendo nesta terra de pele. cavando o centro do mundo com dedos inexatos.

sorrindo à insignificância, aconteço em mistério. de olhos abertos, ilimitáveis. contemplando o possível do impossível.

desde a limpidez desta confusão sem retorno, digo sim.

Wednesday, August 22, 2007

Steven Seagal diz que não se envolveu com a máfia



O ator Steven Seagal diz que quer desculpas de investigadores federais norte-americanos que o envolveram em um plano para assustar um jornalista que estava trabalhando em uma reportagem sobre uma possível ligação do artista com o crime organizado.

O astro dos filmes de ação de 56 anos de idade culpa a publicidade negativa pelo declínio de sua carreira – o FBI teria feito uma declaração acusando Seagal de contratar o detetive Anthony Pellicano para ameaçar uma jornalista do “Los Angeles Times”.

“Acusações falsas do FBI apareceram em centenas de artigos dizendo que eu aterrorizo jornalistas e faço parte da máfia”, disse o ator ao “Times” em uma entrevista publicada nesta sexta (17). “Esse tipo de alegação assusta os donos de estúdios e produtores independentes – e mata carreiras.”

Seagal foi um dos maiores astros da ação nos anos 90, com seus filmes gerando mais de US$ 1 bilhão em ingressos e vendas de DVDs. A maioria de seus filmes recentes, no entanto, tem sido lançada diretamente em DVD.

Seagal nunca foi processado, mas o FBI também não declarou que tenha havido um engano. A porta-voz Laura Eimiller disse que a agência não comenta sobre investigações pendentes.

O ator é acusado de ter ameaçado a repórter Anita Bush em 2002, que encontrou um peixe morto e uma rosa no capô de seu carro com um bilhete que dizia “pare”.

Ela disse a autoridades que acreditava estar sendo ameaçada por causa de uma reportagem que envolvia Seagal e seu ex-produtor, Julius Nasso. No início do ano, Nasso foi acusado de envolvimento em um esquema para extorquir dinheiro do ator.

Friday, August 10, 2007

fogo + teatro

"historicamente, os rebeldes seguem três principais atitudes:
1.colocar fogo no teatro durante uma apresentaçao
2.gritar fogo para o público do teatro
3.gritar teatro no lugar de fogo"

anônimo

Saturday, July 28, 2007

abraçado ao tudo que é nada
ser aquilo que treme

com sede

um cigarro que fuma a si pròprio
poeira e esquecimento

esta espécie de homem

passos largos e indiferentes
as ruas escolhidas ao acaso

os pés descalços

impossìvel recuar
rios desfeitos e portas de fogo

pontapés seguidos por carìcias

brechas abertas, paisagens ausentes
gestos vadios sem medidas

a arquitetura do anonimato

a pele do mundo e tudo que se desfaz
estar sem ser e assim ininterruptamente

estaçao silêncio

...

Wednesday, July 25, 2007

Monday, July 16, 2007

de passagem em lisboa


"o absurdo, a confusão, o apagamento - tudo que não fosse a vida"
f. pessoa

sempre meio cheio e meio vazio. o tempo passando e tudo cada vez mais dificil de ser lembrado. acho que não dou conta de viver, de ter tempo para entender as coisas. mas assim mesmo vou, e vou bem. ah, o amor!

no fundo me parece engraçado rir nestes tempos de guerra, um luxo, um privilégio que tento aproveitar e devolver ao mundo, mesmo que de forma silenciosa e invisível, anônima e ambulante. a coragem e a idiotia fazem o poeta.

e percebo que já não tenho lugar para ir ou voltar, ou talvez ainda andarei à procura por algum tempo. aos poucos vou sentindo que andei demais, que já me distancei o suficiente de mim mesmo, que talvez não exista retorno ou porto seguro. mas não há drama, o que há é essa coisa difícil de dar nome, estranha e bonita demais para ser descrita. aquilo que não conhecemos mas que sentimos bem.

sem nada nas mãos. me preocupo com o dinheiro e penso que isso não interessa nada.

outro dia vi um homem vomitando na rua da rosa. subitamente sua dentadura voou boca à fora até cair no chão. sem cerimônias, ele curvou-se, apanhou-a, e a pôs na boca para continuar a vomitar. cenas urbanas neste verão escaldante.

o presidente lula esteve em lisboa, a conversa girou em torno dos biocombustíveis e ponto final. nenhuma palavra sobre imigração ou algo "um pouco mais" humano. tudo gira sempre em torno do $, não me surpreendo mais.

os dias passam e encontro os amigos, os que casaram e os que vão ter filhos, casais que se desfizeram e as crianças que nasceram, também vejo aqueles que parecem nada ter mudado e outros que já não consigo mais falar.

descobri pela internet que o pirulito se foi, sinto tristeza e vontade de dar um beijo em zenzi. de longe ou perto, algumas coisas são difíceis de entender.


cada vez mais gosto da palavra cais, e tento me esquecer para continuar vivo.

Wednesday, July 04, 2007

"reconhecer a realidade como forma de ilusao, e a ilusao como forma de realidade, é igualmente necessário e igualmente inútil."


livro do desassossego
bernardo soares, ajudante de guarda-livros

haut culture française

Tuesday, June 26, 2007

el continente de la impunidad


nada disso é novidade. as palavras se multiplicam a todo vapor. os números nao sao números. as pessoas deixam de ser pessoas. morremos de tudo a todo instante. sobreviver é um ato de subversao. aonde começa e termina a politica? meu avô me disse uma vez, aos gritos: "ninguém tem o direito de matar ninguém!". e de sobreviver, quem tem o direito?

respirar é algo existencial, a integridade também é? isso de nascer e morrer sabemos pouco ou quase nada. isso de matar parece que já somos mestres. estamos indo a algum lugar? quem sao as vítimas? "o ódio é criativo", só se for na poesia, meu caro filho da puta. quando é que vamos reconhecer que já basta? é preciso de mais? a quem interessa tudo isto?

nesta guerra andamos todos sem cabeça. há muito tempo. deus levou dois tiros no peito. os evangélicos gritaram aleluia. o presidente da república nao tem um dedo nem maos nem braços nem vontade. os artistas se arrastam, comendo a carne que sobra e fazendo questao de assinar tudo que vêem pela frente, com sangue. os jornalistas bebem chá nas madrugadas, conectados a internet, wirelles. os franceses bebem perrier e se preocupam em nao se esbarrar com ninguém, pardon, desolé. os portugueses preferem esperar. os espanhois assistem ao futebol e gritam olé. os japoneses nao dormem, medo dos pesadelos de hiroshima a nagasaki, ao vivo e a cores. os ethiopes dançam com os ombros e já nao comem desde sempre. os americanos, ah estes já nao existem mais, transcenderam, viraram luz!


reportagem publicada no jornal El Pais de ontem:

"En América Latina, el número de asesinatos con armas de fuego triplica la media mundial y seis de cada diez secuestros se llevan a cabo entre el Río Grande y Tierra de Fuego. La gente no sólo está harta del crimen, sino también de la impunidad. No sólo debe cuidarse de los delincuentes, sino también de la policía y los jueces que muchas veces, como en México, no combaten el crimen sino que son parte interesada en éste.

"La seguridad ciudadana se utiliza como arma electoral en América Latina. Se promete mano dura con el crimen, se persigue el aumento de las penas y se garantiza una mayor presencia policial en las calles", explica el chileno José Miguel Vivanco, director de Human Rights Watch para América Latina. "Cuando en América Latina se quiere dar más seguridad, la primera víctima son los derechos humanos. Todas las soluciones son superficiales, para la galería, pero no hay voluntad política para erradicar el problema, empezando con una policía y un sistema judicial que prediquen con el ejemplo", añade Vivanco.

Recientemente, el diario O Globo, publicó cifras escalofriantes sobre el grado de impunidad del que gozan las autoridades en Brasil. El periódico, echando mano de datos oficiales, ha comprobado que en los últimos 15 años hubo 14.000 denuncias contra autoridades políticas, pero que solamente 1.035, apenas el 7%, fueron condenadas. En lo que respecta a los delitos financieros, menos del 5% de los casos conducen a una condena. En materia de violencia, el diario expone el caso del Estado de Pernambuco, al noreste del país, donde en 2006 se registraron 4.638 asesinatos, aunque solamente 38 presuntos asesinos habían sido capturados a finales de año."



versao integral:
www.elpais.com/articulo/internacional/continente/impunidad/elpepuint/20070626elpepiint_3/Tes

Friday, June 22, 2007

"l´essentiel est l´extreme du possible"

georges bataille
depois da estréia fomos comemorar numa discoteca em montemor-o-novo (cidade pequena onde o vento faz a curva e o tempo nao existe). a dada altura fui ao banheiro. ao abrir a porta encontrei um homem completamente nú mijando em pé. ele olhou para mim e disse sem hesitar: "o que eu gosto mesmo é de liberdade!".

a mim restou-me concordar com ele.

Friday, June 15, 2007

amanhã estréia:



Sand Castle

direção - Vitor Roriz
criação e interpretação - João Lima, Sofia Dias e Vitor Roriz
assistência - Marta Cerqueira

dia 16 de junho às 21h30 Black Box em Montemor-o-novo (portugal)
dia 21 de junho às 20h La Caldera em Barcelona (espanha)

involuntariamente, os meus pulmões inspiram oxigénio, o meu coração bombeia sangue e a temperatura do meu corpo normalmente permanece num nível constantemente elevado. sempre que me esforço respiro mais fundo que é habitual e sinto-me cansado; quando tenho frio os meus dentes rangem e o meu corpo treme; quando tenho calor suo; e sempre que me sinto suficientemente cansado, descanso ou durmo. se o meu estômago se contrai eu sinto as dores da fome, penso em levar comida à minha boca, onde é humedecida, mastigada e enviada para o tubo digestivo. quando sinto pressão na bexiga urino e quando os meus intestinos estão cheios defeco.
o meu corpo está organizado de forma a formar células espermáticas nos testículos, e o corpo dela a produzir células ovulares nos ovários. de tempos a tempos os nossos órgãos genitais são estimulados e copulamos. se a fertilização se seguir a este acto, seus ciclos menstruais são suspensos e forma-se um embrião no seu corpo, onde é alimentado, ao longo de uma gestação de cerca de nove meses, por intermédio de um dispositivo placentário. depois de dar à luz ao seu filho, ela separa aquele dispositivo do corpo logo a seguir ao parto; amamenta a criança e ajuda-a até que ela atinja uma fase em que pode mover-se por si própria. a medida que o tempo passa os nossos corpos sujeitam-se a algum acidente ou doença fatal, ou envelhecem e deterioram-se. então a morte termina os aspectos biológicos do nosso comportamento e os nossos cadáveres decompõem-se de acordo com as leis imutáveis da física e da química.

Friday, June 08, 2007





aaron siskind

Tuesday, June 05, 2007

a morte do plano


"o plano é um conceito criado pelo homem com um objetivo prático: satisfazer sua necessidade de equilíbrio. o quadrado, criação abstrata, é um produto do plano. marcando arbitrariamente limites no espaço, o plano dá ao homem uma idéia inteiramente falsa e racional de sua própria realidade. daí os conceitos opostos como o alto e o baixo, o direito e o avesso, que contribuem para destruir no homem o sentimento de totalidade. é também essa a razão pela qual o homem projetou sua parte transcendente e lhe deu o nome de deus. assim ele colocou o problema de sua existência - inventando o espelho de sua própria espiritualidade.

o quadrado adquiria uma significação mágica quando o artista o considerava como portador de uma visão total do universo. mas o plano esta morto.a concepção filosófica que o homem projetava sobre ele não mais o satisfaz, assim como a idéia de um deus exterior ao homem.ao tomar consciência de que se tratava de uma poética de si mesmo projetada para o exterior, ele compreendeu ao mesmo tempo a necessidade de reintegrar essa poética como parte indivisível de sua própria pessoa.foi também essa introjeção que fez explodir o retângulo do quadro. esse retângulo em pedaços, nós o engolimos, nós o absorvemos. anteriormente, quando o artista se situava diante do retângulo, projetava-se sobre ele e nessa projeção carregava de transcendência a superfície. demolir o plano como suporte da expressão é tomar consciência da unidade como um todo vivo e orgânico. nós somos um todo e agora chegou o momento de reunir todos os fragmentos do caleidoscópio em que a idéia do homem foi quebrada, reduzida a pedaços. mergulhamos na totalidade do cosmos, vulneráveis por todos os lados: o alto e o baixo, o direito e o esquerdo, enfim o bem e o mal - todos os conceitos que se transformam.

o homem contemporâneo escapa às leis da gravitação espiritual. ele aprende a flutuar na realidade cósmica como em sua própria realidade interior. ele se sente tomado pela vertigem. as muletas que o amparavam caem longe de seus braços. ele se sente como uma criança que deve aprender a equilibrar-se para sobreviver. é a primeira experiência que começa."

lygia clark, 1983

Tuesday, May 29, 2007

a proposito do instante

"d'un tel vide absolu nâit le plus mervelleux épanouissement de l'acte pur".
o instante do ato nao se renova. existe por si mesmo: repeti-lo é dar-lhe um novo significado. ele nao contém nenhum traço de percepçao passada. é um outro momento. no mesmo momento em que acontece, é ja uma coisa em si.
sò o instante do ato é vivo. nele o vir a ser està inscrito. o instante do ato é a unica realidade viva em nòs mesmos. tomar consciência é jà o passado. a percepçao bruta o ato é o futuro se fazendo. o presente e o futuro estao implicados no presente-agora do ato.

lygia clark

Monday, May 14, 2007



acho que esse joao costa sou eu.

Friday, May 11, 2007

expressões world wide bizarras

conversando com amigos franceses, um turco, um australiano, uma portuguesa e uma argentina, fizemos juntos uma pequena lista de expressões estranhas para usos bizarros. o que nos chamou a atenção foram as imagens que surgem nestas metàforas(absurdas, surreais, idiotas, quase literais) e a necessidade desta comunicação tão "poética" para expressar o que é tão ordinàrio.

seguem as expressões:

t'as du beurre sur le menton (tàs com manteiga no queixo) ou le petit oiseau va sortir (o passarinho vai sair) - expressões francesas para dizer: "a tua braguilha tà aberta".
planes are flying low today (hoje os aviões estão voando baixo)- forma australiana de avisar sobre o mesmo "problema" da braguilha aberta.
tienes aberto el kiosque - mais uma indicação para o danado do ziper que não quer fechar, usada na argentina.
are you digging for gold? (tàs procurando ouro?) - pergunta gentil pra ser feita quando alguém tira catota na austràlia.
les faltam jugadores en la equipo (faltam jogadores no seu time) ou les faltam caramelos en el frasco- diz se quando alguém é louco, na argentina.
il pleut commme vache qui pisse (chove como uma vaca que mija) - para ser usado quando chove torrencialmente, na frança.
pedaler en la chucroute (pedalar no chucrute) - significa tentar e não conseguir na frança.
je vais me repoudrer le nez (vou repor o pò no nariz) - utilizado pelas mulheres (metidas a tal) francesas quando vão mijar.
watering the horse (aguar o cavalo)- diz se para o ato de mijar.
tu ne vas pas nous faire un caca nervoux (tu não vai nos fazer um cocò nervoso) - um aviso para alguém que està muito ansioso e pode destruir tudo que foi feito coletivamente.
to kick the dog (chutar o cão)- trata-se daquela sàbia reação de beber no dia seguinte para espantar a ressaca.
to shit a brick (cagar um tijolo) - essa é bastante direta, significa: fazer uma grande MERDA, na austràlia.
tens amiguinhos ou tens dentes de piano - usada em portugal para avisar a alguém que ele(a) està com comida entre os dentes.
güte giren semsye acilmaz (o guarda-chuva enfiado no seu cù não abre)- expressão otimista(!)turca para dizer que se você està com problemas, não vai ficar pior.

não peço desculpas pelos eventuais erros de tradução e sei que nossas expressões brazucas também são especiais. lembrei aos amigos de algumas no momento, o famoso "peidar na farofa" ou o simpàtico "viajar na maionese" foram citadas, para delirio geral.

bom fim de semana e não esqueçam o guarda-chuva.

Saturday, May 05, 2007

ali, bem ali. uma mulher chorava na seçao de queijos do supermercado. aconteceu de repente. tentei entender o que estava fora do meu alcance. nao consegui. entre camamberts, comtes e chevres, ela chorava sem desespero. aquela luz branca e o frio das prateleiras nao tornava a situaçao muito intima, senti-me perto dela assim mesmo. sem pensar, agarrei uma mussarella. ela nao escolheu nada e desapareceu. meus passos seguiram lentos entre as filas de chocolate, leite, carne, preços e pessoas invisiveis. pesei os legumes. no caixa nao havia ninguém, apenas uma màquina eletrônica com voz de mulher. paguei e joguei tudo em sacos plàsticos vazios. andei até casa sem pensar na senha do meu cartao de crédito.

Tuesday, May 01, 2007



sanitation workers strike, memphis, tn, 1968
photograph by ernest c. withers

Monday, April 23, 2007

para um amor no recife


não vai ser fácil escrever estas palavras. tratam-se de impressões que há muito me ocorrem e que me aparecem com bastante força, suficiente pra me fazer escrever isto pra ti. escrevo por acreditar que também escrevemos o futuro, escrevo por necessidade.

desde que decidi sair do brasil (numa viagem íntima de emancipação e em busca de ampliar a minha leitura do mundo), venho inevitavelmente vivendo memórias e impressões do recife de maneira atávica, quase que avassaladora. de tal modo que, nestes dias de distância, sempre procurei manter-me informado e atento à história atual desta cidade, que também é a minha história.

assim, observo o intenso sufocamento e a assustadora violência a que o recife vem vivendo, em crescimento até agora incontrolável. percebo esta situação, mesmo que a partir de uma posição bastante privilegiada, comparando-se à maior parte da população. vejo a miséria tomar as mais diversas formas, atingindo a tudo e a todos com golpes de terror. a expressão “qualidade de vida”, em recife, possui um sentido próprio, mórbido e doentio. toda esta violência, este trânsito, a corrupção e a inconsequente construção vertical parecem sem limites. a desigualdade social é o coração desta febre e cresce a todo vapor, sendo causa e consequência deste agora tão escuro.

assisto ao êxodo acelerado da minha geração com um misto de perplexidade e compreensão (entendo-o bem pois também faço parte deste movimento). assusto me ainda mais com o sentimento de aceitação e normalidade quase que generalizado, por parte da sociedade recifense diante do caos que toma conta da cidade. o que percebo é cansaço, cinismo e medo, muito medo de encarar esta realidade com frontalidade e o desejo de transformação necessários.

da onde vem este sentimento derrotista? a quem interessa este silêncio?

fico pensando que a minha geração envelheceu rápido demais, ou talvez “aprendeu” a emudecer, “porque assim é mais seguro”… ou, quem sabe até, estejamos todos atordoados, sem saber como e por onde agir. entretanto, pelo que vejo, nunca desapareceu a capacidade incansável para organizar festas e eventos sociais - rituais onde a qualquer custo o objetivo é se embriagar e dar uma foda mais ou menos rápida, lugares onde se celebra o que ainda nos resta de vida, espaços utópicos onde ainda se pode dançar e beijar “sem medo”, mesmo que seja assim, de forma fugaz - vejo que ainda resta algum potencial de mobilização. sei que é importante brincar e conheço intimamente esta busca pelo outro e por afeto, não há nada de errado em festejar, afinal: a dimensão da alegria habita na dimensão da curiosidade, e a dimensão da curiosidade é própria da transformação…

portanto sei, e sabemos todos, que não precisamos de heróis e que nossos inimigos, somos nós mesmos. e se, mais do que nunca, a defesa dos ideais, e qualquer engajamento político, soa antiquado ou desacreditado, como podemos reinventar caminhos por um mundo mais justo, mais condizente com os nossos desejos? para começar, parece-me evidente que, a cada instante, devemos fazer escolhas em direção à ética, reconstruindo assim os sentidos desta palavra e o terreno para uma vida mais fraterna, o que a todos interessa, não?

sem rebeldia, tudo permanence como sempre foi, e se nosso momento na história é diferente de qualquer outro, devemos buscar nossas próprias formas de criá-la, como nós a desejamos. lembro-me dos ensinamentos do Paulo Freire, ao dizer que “interessa o saber da história como possibilidade e não como determinação, pois não sou apenas objeto da história mas seu sujeito igualmente” ou ainda “ o mundo não é o mundo, está sendo”. A história é agora.

e sabendo que não é possível fazer história sem os pés bem assentados na consciência crítica, é também evidente que não posso perpetuar toda a devastação à minha volta. minhas ações são decisivas, sejam elas mais ou menos simples. com humildade e alegria, percebo que eu sou o meu projeto de mundo.

aonde quer que estejamos, em qualquer situação, podemos fazer a diferença abrindo espaços de invenção permanente. sempre penso em levar pra recife um pouco do que venho aprendendo, e como sei que cada um de nós têm desenvolvido formas diferentes de intervir no mundo, acho que é hora de juntarmos nossos esforços e nossas visões em um encontro por celebração e transformação. como criar nossos meios de comunicação? como intervir no seio da sociedade recifense em busca de debate? como apresentar outras alternativas de vida? como fazer tudo por um pouco mais de ternura ?

estas palavras são minhas, gostaria de saber quais são as tuas. no fundo somos mais livres do que imaginamos. estou longe, sinto saudades e desejo agir. é pouco, eu sei, ainda há muito pra se fazer, isto não é nada mal, terrível seria se não tivessemos mais nada a criar.

com afeto

Tuesday, April 10, 2007

o medo de existir


na semana passada, em um concurso da RTP (canal de televisao pùblico), o ex ditador português antonio salazar foi eleito com o voto de mais de 150 000 telespectadores como "o melhor português de sempre".

salazar foi o fundador de um regime autoritário de direita (puro pleonasmo...) que controlou a vida econômica, social e cultural de Portugal entre 1933 e 1974, quando um golpe militar quase sem derramamento de sangue converteu Portugal numa democracia.

hoje, 33 anos depois, com portugal ainda em dificuldades de se levantar deste passado escuro, o que isto significa? um anti 25 de abril? uma perda de memòria? uma verdadeira vocaçao reacionària portuguesa?

e eu que achava que o melhor português de sempre era o Scolari...



*imagem gentilmente roubada do www.fotolog.com/marcelotarta

Monday, April 09, 2007

bloody mess

this is the last thing you see.
you see me sat in the light, in the last of the night.
i´m sitting on a table.
you see my face. you see my lips. you see my eyes.
and you can see that i´m thinking.
it´s the last thing you see.
you see my face. you see my eyes and you can´t tell what i´m thinking.
my face is completely blank.
the eyes don´t really give anything away.
the expression is somewhere between nothing and everything.
you don´t know me. you think you know me. it´s not important.
what´s important is that you see me breathing. you see the rise and fall
of my breathing.
you hear the traffic outside, or drunks in the street, or the sound of rain on the roof of the theatre, or the sounds of the others sat around you in the auditorium. or you hear none of these things. it´s not important.
what´s important is that you see me. you see me sat alone on a table in
the last of the light and then, suddenly, perhaps much more suddenly
than you had expected, it´s over and i´m gone, and this time, i´m gone
forever and i never come back.

forced entertainment

Thursday, April 05, 2007

colocando em perigo

Todas as culturas sao escravas do idealismo - elas se definem por sua servidao face ao ideal. Apenas a tragédia poe o ideal perto da morte, mas como a morte é o inimigo nùmero um dos sistemas polìticos, a tragédia é caricaturizada como pura negatividade. A bravura da tragédia – ou mesmo o amor fìsico nao sao suficientes para abolir a fascinaçao pela morte – e é assim que ela nega o prazer como prìncipio de organizaçao da existência. E quem negarà que este desprezo em relaçao ao prazer também advém do êxtase ?

Constantemente opoe-se o teatro à rua, como se o teatro fosse falso e a rua real. A arte do teatro afirma sua independência absoluta em relaçao à rua. Ela se dedica à porta. Ela se dedica à parede. Ela deixa a rua à rua. De qualquer forma, quem pretende que a vida seja real ? Ela é feita como se fosse real. O fato é que aqueles que persistem em crer na ficçao desta realidade nao fazem parte das nossas preocupaçoes.

Estranho é todo o teatro onde o artista nao é ignorante. Pobre é qualquer texto em que o dramaturgo nao é ignorante. Como falar da ignorância como sendo uma virtude ? porque aqueles que sabem nos dao vontade de vomitar. Porque nòs desejamos partilhar o experimento daqueles que nao sabem, que sao animados apenas por uma intençao bela.

A arte do teatro aspira a nudez moral. Sendo assim a antìtese da educaçao, que é o vestimento, promessa de sufocamento em baixo de roupas éticas.

Falamos muito de ilegalidade, como se pensassemos que o crime fosse um sinal de distinçao, entretanto trata-se de um sinal de pobreza, um gesto de impotência. De outro modo, na arte do teatro, nòs nos apresentamos diante do pùblico nao como criminosos mas como sacerdotes de uma arte sagrada. Mas é complicado. Nesta decadência a democracia acusa o sagrado de ser criminoso.

O problema nao é oferecer ao pùblico um espìrito critico ( suspiro coletivo de confusao orquestrada) mas de colocà-lo em perigo…



Howard Barker
Nascido em 1946 na inglaterra, é diretor e autor de mais de cinquenta peças de teatro, além de pintor, poeta e teòrico em drama.

Sunday, April 01, 2007






oswaldo goeldi

Thursday, March 29, 2007

chuva de meteoros

isto é o começo. o começo. o começo.
um ritual em sonho e realidade.
ruptura, destruindo fronteiras, dançando sem limites, abrindo janelas.
um rito de morte e nascimento, como todos os outros.
um rito de passagem, como todos os outros.

sim, nao, talvez. esta estòria acontece. na sua pròpria medida. esta estòria se escreve. assim. sem força. vai se deixando. acontece diante dos nossos olhos. abertos ou fechados. esta estòria a nada resiste. sua linguagem é secreta, nao podia ser mais primitiva. acidentalmente atravessada por uma liberdade ìntima, ultrapassa cada palavra e segue de maos dadas ao encanto, contemplando a continuidade daquilo que nao se sabe. delìrio, sempre.

tudo isto é muito fàcil, mas é tao dificil. sobre os objetos que voam janela à fora, nao é preciso entender nada. e isso jà é muito. observando tudo com magia, cada momento é iluminado por cores. de todas as naturezas. enquanto rinoceronte te vejo girafa. desfigurado te vejo suspensa. uma experiência extraordinària! um tricot sutil, sinuoso, revelando silêncio e ruìdo a cada linha, atraindo e repelindo, transformando reaçoes em respostas, sangrando em êxtase. uma cerimônia do sim.

pequenos eventos gigantes acontecem a todo vapor. aquele senhor me disse que o relògio estava dois minutos atrasado. nao sei o que isto significa, gosto de pensar que ainda é tempo. e nada espero. e esta estòria explode para todos os lados. um ciclo lancinante, uma bola de fogo aberta à todas as direçoes. existindo como num soluço, destruindo certezas, surpreendendo toda a plebe e realeza. refletindo o imenso espetàculo em ritmo brusco. devastando o medo, para o nosso espanto e revelaçao. uma serenada ambìgua. a dança que nunca se controla vai acontecendo sem pedir licença, sem pudores nem praqueissos. alguns chamam de violência, outros desmesura ou incoerência. nao se trata de cosa mentale. isto é uma forma de vida. em estado de exceçao. desnuda, verdadeiramente possìvel, inspirada por alegrias e memòrias de um ilustre devir.

até que venha a pròxima chuva de meteoros.

Monday, March 26, 2007

em silêncio por favor

- aqui?
- sim
- là?
- ao lado
- um pouco mais?
- um pouco mais
- de novo?
- de novo
- ainda là?
- ainda là
- mais embaixo?
- mais acima
- assim?
- nao, assim nao
- assim entao?
- nao, assim também nao
- assim?
- sim, mais ou menos assim
- ao inverso?
- sim, ao inverso, mas nao completamente
- de cabeça pra baixo?
- sim, sim de cabeça pra baixo
- de que lado estàs?
- aqui, tô aqui
- eu te perdi
- eu também
- de novo?
- de novo
- outra vez?
- outra vez
- mais dobrado?
- sim e mais esticado
- na luz?
- na luz
- sem as maos?
- com as maos
- com a boca?
- sem a boca
- sem a boca?
- tà, tudo bem, com a boca
- entao, sem falar?
- é isto, meu amor, sem falar


pascal rambert

Saturday, March 17, 2007

liberté, egalité, vatefairenculé!

Thursday, March 15, 2007




Francesca Woodman

auto-ajuda

STEAL

Steal from anywhere that reasonates with inspiration or fuels your imagination.
Devour films, music, books, paintings, poems, photographs, conversations, dreams, trees, architecture, street signs, clouds, light and shadows.
Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work (and theft) will be authentic.
Authenticy is invaluable.
Originality is non-existent.
Don't bother concealing your thievery _ celebrate it if you feel like it.

Remember what Jean-Luc Godard said: "It's not where you take things from - it's where you take them to."

I stole this from Jim Jarmush

* e eu do Paul Arden

Sunday, March 11, 2007

une

je suis tombé de ma fureur, la fatigue me défigure,
mais je vous aperçois encore, femmes bruyantes, étoiles
muettes, je vous apercevrai toujours, folie.
et toi, le sang des astres coule en toi, leur lumiére
te soutient. sur les fleurs, tu te dresses avec les fleurs,
sur les pierres avec les pierres.
blanche éteinte des souvenirs, étalée, étoilée, rayon-
nante de tes larmes qui fuient. je suis perdu.


paul eluard

Thursday, March 08, 2007

hors de champ






gritar
até os pulmoes subirem
quase nada
pelo sim
tudo
a grosso modo

a orelha constantemente aberta
os olhos piscando

((((mistérios))))
o que vai acontecer?
((((segredos))))
o que serà que aconteceu?

a boca nao resiste
o nariz percebe

cair
lentamente
tentando verificar se o chao continua là
pelo sim
quase nada
a grosso modo


acabou-se a estòria.

Friday, March 02, 2007

UNA HISTORIA DE LA PERFORMANCE EN VEINTE MINUTOS

GUILLAUME DÉSANGES

Intentar una historia del cuerpo en el arte como una historia del silencio frente al discurso sobre el arte. Descontextualizar la performance de su entorno histórico. Mostrar cómo la historia –del arte– ha dado y – para algunos– engendrado gestos y ya no más objetos. Y sobre todo no más discursos. “Ya no es el momento de hablar, es el momento de actuar”. Como si el silencio de los cuatro minutos treinta y tres de John Cage no fueran música absoluta. Sino, más bien, algo como: ya no voy a copiar, voy a mostrar.

El colmo del arte es no tener más objetos. La gran subversión es ningún rastro, no mostrar nada más. Se acabó. La cultura de la performance es lo que no queda, incluso cuando se recuerda todo: ¿ha sucedido alguna vez?

Observada así, de manera totalmente formal, la historia de la performance, o del body art, no es una historia de la representación del cuerpo, sino exclusivamente la de sus gestos. Apenas esbozados, ya muertos. En todo caso, intentemos una historia de la performance en diez gestos y treinta figuras.

1. Aparecer.
Primer gesto inaugural: aparecer.
Sencillamente estar aquí: Bob Morris, I box (1962). No me voy a esconder más detrás de mi obra. Así pues, soy yo. La barbilla ligeramente alta. Sonrisita. Aquí estoy. Estoy bien. Afirmo una subjetividad positiva.
O bien.
Otra vez, aparecer: Bruce Nauman, Slow Angle Walk Beckett Walk (1968). Basta de habladurías. Basta ya de comentarios. Ahora señalo yo. Primero el espacio. No deseo perder el tiempo. Volver a empezar desde cero. Volver a aprender los gestos fundamentales. Aquí están los límites de mi universo. De artista. Doy vueltas en cuadrado en mi taller. Se trata de un encerramiento voluntario. Pero resisto. Camino, luego existo. Aparecer, simplemente ser.

chris burden - shoot
2. Recibir.
Pero cuidado. Aparecer es también y simultáneamente convertirse en un blanco potencial. Por eso habrá que moverse; si no, nos dispararán.
Segundo gesto, entonces: recibir.
El 19 de noviembre de 1971 Chris Burden está de pie en una galería de Santa Ana, en California, frente a una escopeta, una cámara de video y una cámara de fotos: Shoot (1971). Disparo. La bala atraviesa su brazo, ¡ay! Radicalismo de la performance. Gesto suicida.
Burden se mantiene inmóvil. Determinado. El resultado es inevitable. Burden es el antisuspense. Uno piensa: a lo mejor, no lo va a hacer. Pero, sí. Es capaz. Al final es un ejercicio de virilidad: combato el dolor; soy fuerte; voluntad de potencia y superhombre. Me disparan, pero quedo con vida. Nietzscheano. Chris Burden es la salud. Lo malo es la enfermedad. El más terrorífico no es Burden, sino Vito Acconci. Lo más flipante no son las balas de armas, sino las pelotas de tenis que Vito Acconci recibe con los ojos vendados y que intenta coger o evitar: Blindfolded catching (1970). Lo de Burden era un pelotón de ejecución, mientras que lo de Acconci es la tortura. Tortura mental y física. Lo peor de la humillación es el gesto inútil. El verdadero peligro es invisible. El verdadero enemigo es invisible. Con los ojos vendados, paradójicamente Acconci es el más visionario.

vito acconci - blindfolded catching

3. Retener.
Tercer gesto: retener.
Otra estrategia: resistir. Una historia de la performance como ilustración de las relaciones de sumisión a las fuerzas exteriores. Pero esta resistencia tiene límites: los del cuerpo. Este cuerpo que retiene está tendido, rígido, combatiente. Pero nunca acabará por triunfar. Su resistencia será heroica o grotesca.
Heroica fotografía de un cuerpo tendido sobre el vacío. El de Denis Oppenheim realizando un puente humano entre dos muros de ladrillo: Parallel stress (1970). Desdoblado, torcido, formando un ángulo con su cuerpo. Inmediatez y tentación por el vacío. Aspirado por la tierra, pero resistente. En el instante antes de caer, de hundirse: el instante de la tensión más grande. Está fijado en la pérdida, pero también en el combate. Inclinado hacia el abismo como una gárgola.
Pero retener es también, y sobre todo, retener la palabra. Aspecto emblemático de nuestra historia. Silencio sobre el escenario.
Versión débil: Catalaysis 4 (1970-71). Adrian Piper paseando por la calle con un trapo en la boca. Mordaza. Básico: pero quizás no tan débil. Enseño la violencia del silencio impuesto.
O retener, de nuevo. Versión gore. Y radical por Paul MacCarthy.
Hot Dog (1974): rellenar de salchichas la boca. Hasta la náusea. Algo que no puede entrar. Y tampoco salir. Gesto voluntariamente abyecto: retiene las salchichas con una venda alrededor de la cabeza. Obviamente, mudo a la fuerza. Odiosamente mudo. ¿Estará tragando o vomitando? Es lo mismo. La salchicha es intragable. Él: indomable. Intragable, es decir, ni siquiera vomitivo. El público estupefacto está retenido como rehén. Si vomito frente a él, lo hará a su turno. Y se ahogará. Suprema ironía de la situación: MacCarthy aprovecha para reconciliar los detractores con los espectadores de la performance trash. De igual manera que se exasperaba un periodista de France Dimanche en febrero de 1975 acerca del body art: “a eso lo llaman arte; a mí, me hace vomitar”. Exacto.
paul mccarthy - hot dog

4. Huir.
Cuarto gesto: huir.
Huir. Correr. Escaparse. Deslizarse. De espaldas a la historia. La mejor defensa. Muda, siempre. Huir para no tener que dar ninguna explicación. Para no tener que hablar. Correr, sin reposo. Bip, bip: el correcaminos y el coyote en el desierto. ¿Versión bip, bip? Optimista. Me libero. Soplo de vida, salir de la tela para respirar oxígeno. Gesto fundador y emblemático de Saburo Murakami a partir de 1956: Breaking through many paper screens. Corro a través de marcos de papel tendidos. Rompo todo a mi paso, nada me resiste. Soy…bip, bip. Atravieso. Paso por dentro de las montañas. Escapo. Al final del túnel: la vida. Prueba simplificada de atletismo: 200 metros dentro de las vallas. Pan comido. Al contrario: huir versión coyote, catorce años más tarde. Asmático y suicida. Absurdo. Desesperado, y para decirlo todo, californiano, por Barry La Va: Velocity piece (1970). Me tiro contra la pared hasta el cansancio. Precisamente, no me lanzo sobre la pared. Quiero huir. Pero es imposible escapar. Magnífico y fulgurante fiasco. Como una golondrina enclaustrada en un establo de la Duthée. O bien una mosca. Tropiezo contra el vidrio.
Pero todo esto es consciente. Y sublime, hasta los límites de mi cuerpo. Va y viene entorpecido. Sísifo demostrando la imposibilidad del movimiento perpetuo. Porque el hombre se agota. Se estropea. Se lesiona. Huellas de sangre.
Ninguna salida posible.

5. Apuntar.
O bien. Una salida. Mediante un quinto gesto: apuntar. Apuntar con un arma. No hay más recurso posible. Un poco como si desde los años sesenta el arte hubiera pasado al nivel de la intimidación. Se agota la vía diplomática.
Ahora, se dispara.
El ¡bum! de los sesenta: es Niki de Saint Phalle. Disparo con un fusil sobre unas bolsas de pintura. Concentrada en dar en el blanco. Apuntar, disparar. Calamity Jane. La postura es fuerte. Viril. Precisa. Mucho más que la acción pseudosubversiva del homicidio pictórico. Lo que importa es la forma del gesto: retrato del artista como asesina. Inversión de la situación, venganza: la pintora repite la postura del soldado napoleónico representado en la obra de Goya. Preparen. Apunten. ¡Fuego!
Pero apenas algunos años más tarde, Chris Burden, otra vez, reactúa la escena en una versión desesperada. Imprecisa. Irrisoria. Disparo al aire sobre un Boeing 747. Por supuesto, no pasa nada. No es peligroso. Sería más bien romántico. Pero pensándolo bien, es a un avión entero al que se está apuntando. Realmente nadie se lo cree, y sin embargo: ¿por qué no? La subversión como desobediencia a las prohibiciones paternas: “no se apunta, ni en broma”. ¿Un atentado? Podríamos decir más bien: prohibido volar. Obligación de aterrizar. Burden trae todo a la tierra. Rompe las alas de los aeroplanos. Literalmente: caer muerto. ¡Anda, vamos! Todos al suelo, boca abajo, manos sobre la cabeza.

6. Caer.
Ya que hablamos de descender. Sexto gesto: caer.
El gesto inaugural: Yves Klein, El salto en el vacío (1960).
Yves se lanza. Por los aires. Desde el muro externo de una casa burguesa de la región parisina. Pero no me caigo. Despego. Truco, cierto. Pero el resultado es: vuelo.
Erección. Ícaro. La cabeza en las nubes. Aspirado hacia el éter. Negación del cuerpo pesado en el cielo. Es el salto del ángel anunciador. O mejor: la ascensión misma. En camino hacia la eternidad.
Variación patética: lo grotesco, por Jan Van Ader, el rey de la caída, Fall two (1970). Ando en bici al borde de un canal en Amsterdam y me lanzo al agua. ¡Splash! Apenas es voluntario. Tampoco demostrativo. Tampoco reactivo. Más bien es un error de casting. La culpa no la tiene nadie, ni siquiera Ader. En el arroyo patas arriba, la culpa es de la bicicleta. Sana Sanita, culito de rana, si no sana hoy, sanará mañana... Pero la verdad es que ni le duele. Sencillamente: inadaptado al mundo. Suicidio social. Conmovedor como una botella lanzada al mar. De hecho, es una premonición. Ader reincidirá de manera trágica algunos años más tarde desapareciendo en el mar. Costándole la vida. Quizás. Pero aquí, esta caída en bici lamentable, todavía es una farsa. Discretamente burlesco. Silenciosamente triste. ¿Cáete? Ssshh. Cállate...
yves klein - leap into the void

7. Gritar.
Pero no se preocupen, todo no está sereno. Nuevo gesto: gritar. Vociferar. Nuevo gesto mudo. ¿Paradójico? No realmente. El grito no es el discurso. El grito es la expresión. El ruido, no el lenguaje. Tras siglos de discurso visual en el arte y, posteriormente, textual, el grito es la afirmación del final del bla bla. Ya pasamos a otra cosa. O regresamos a otra cosa. El simple grito. Sin nada. Solo. Primario. Una vuelta a la esencia del arte. Primero el grito y después el lenguaje… El final de la infancia.
Así pues, en el medio de los murmullos conceptuales, varias vociferaciones van a responder al eco:

Soprano Jochen Gerz, Gritar hasta el cansancio (1972). En un solar estoy gritando “Hallo!” hasta perder la voz. Oración. Chamanismo. Aullidos a la luna.
Versión boca abajo: Marina Abramovic, Freeing the voice (1975). Gritar es resistir. Como entrar en trance. Experimentar los límites del cuerpo. El resultado es un bel canto casi animal. Un tipo de rugido.
Bill Viola, The space between the teeth (1976). Es un grito versión bucodental. Orgánico. Travelling hacia una boca abierta vociferando. La cámara entra en la boca. Como el domador que pone la cabeza dentro de la boca del león. Final del grito. Cut.

Solo hace falta que los dientes se cierren…
Para… morder (octavo gesto).

8. Morder.
Morder. Cortar. Cizallar. Otro guión posible para una historia de la performance. Versión caníbal. No es para comer, tampoco para tragar, sino más bien para dejar marcas. Para oponer el silencio al discurso, pero esta vez indirectamente. Para redescubrir una forma básica de la escritura. Porque la etimología de la palabra es graphein: gravar. Desde su origen, la escritura no es una construcción, es una penetración.
Pues bien, igual que el grito es el lenguaje primario, el mordisco es la escritura inicial. Así, tras la expresión muda del grito, aquí tenemos una impresión ilegible del mordisco.
Vito Acconci, Trademarks (1970): mordiscos metódicos sobre el cuerpo alcanzando todas las partes posibles. Escritura ambiciosa e incluso incisiva.
Impresión, otra vez. Pero esta vez en versión encuadernación cosida: Gina Pane, Acción sentimental (1972). Sentada en el suelo con las piernas cruzadas, me incrusto espinas de rosa en el antebrazo tendido. Soy una escultura. Soy el tronco del árbol de las kermeses populares. Por cada clavo puesto, pido un deseo. No totalmente masoquista: un juego solidario. Más bien acogedor. El cuerpo como tierra fértil. Zona del transplante. Fusión orgánica posible. Y deseable.
Mordisco más obstinado: Nam June Paik se corta el brazo con una hoja de afeitar (1967). El gesto es sencillo, básico. Sin ningún afecto. Puerilmente experimental. Cuidadoso y absurdo. Es un hara-kiri versión “brazo”. Versión “bracito”. En la familia (Adams) del mordisco reflexivo a la hoja de afeitar, el caso más serio es el austriaco Gunter Brus: Zerreissprobe (Prueba de laceración, 1970). Es el final del accionismo vienés. El último desfile patético. Autonovatada trágica en Viena: un muerto. O casi. Brus, de rodillas, con liguero roto y el cuerpo mutilado, se corta tranquilamente el cráneo con una navaja y bebe su propia orina. Es el final. Es el hombre solo que acabará por descuartizarse a sí mismo con unas cuerdas atadas a los tobillos. No podemos hacer nada por él. Jankélévitch: “la muerte es el evento inmediato”. Se cierra el telón.
gina pane - sentimental action
9. Vaciarse.
Otro nuevo gesto: vaciarse.
Vaciarse. Distribución gratuita. Dos fórmulas a escoger: la generosa o la patética. La pérdida o la donación. La donación nutritiva o el puro olvido de sí mismo. A veces es difícil distinguir. Mi cuerpo es una fuente de vida o de problemas. Me entrego o me suelto.
En todos los casos: yo invito, una ronda para todos.
Vaciarse, tendencia alegría: Bruce Nauman, Self-portrait as a fountain (1966-67). El artista escupe agua como una fuente, generoso, donante, nutritivo, fuente de vida. Silencio: es imposible hablar con la boca llena. Gesto sencillo, a la vez distante y voluntario. Un máximo de efecto con un mínimo de efectos. Me recuerda también la formula de Kurt Schwitters: “todo lo que escupe un artista, es arte.”
Luego, vaciarse, tendencia escatología: Otto Muhl, Pissaction (1968). Vaciarse en la boca del otro. La donación versión sadomasoquista. Una “lluvia dorada” en Munich. Bienvenido al teatro de la crueldad: no hay que retenerse. Dejar fluir. Desbordamiento. Deporte acuático.
A partir de entonces, de hecho, el grifo está abierto. Todo puede fluir con alegría. Se podría escribir una historia de la performance como síntesis de la mecánica de los fluidos. Algunos ejemplos en desorden:
Versión callejera: Francis Alÿs camina con un bote de pintura agujereado por las calles de Sao Paulo (1995). Fina línea azul sobre la acera gris. Trazabilidad máxima.
¿Algo más? Hannah Wilke, His Farced Espistol (1978). Meando desnuda. De pie. En el váter. Quizás no tan vulnerable porque lleva un pistolón en la mano. Menos provocación naturalista que afirmación –visual– de una igualdad de sexos. Con violencia.
O bien, Carolee Schneeman, Interior Scroll (1975). Vacío mi cuerpo por la vagina. Desplegando un pergamino para leer. Se podría decir, fusión “bíblico-GustaveCourbetiana”: en el origen del mundo era el verbo.
Versión final: Mike Kelley, Manipulating mass-produced, idealized objects (1990). Misión: defecar sobre animalitos de peluche. Subversión máxima. Nos olvidamos, literalmente. Regreso del rechazo. Ready-mierda asistido. Regresivo a tope, versión osito maculado, Los Lunis versión juego de masacre. Buenas noches, hasta mañana.

10. Desaparecer.
Décimo y último gesto de esta historia del cuerpo en el arte. El reverso del primer gesto. El reverso del aparecer. El no-estar, el no-ser. Utilizar el cuerpo para significar la ausencia. Desaparecer. Pfuitt…
Chris Burden, Disappearing (1971): desaparece durante tres días, sin dejar huella. Imposible de localizar.
Radical. El escándalo de la mirada ausente. No más mirones, entonces no más obras. No es la ausencia de huella, tampoco la huella de la ausencia. Es la huella imposible. Revolución anticognitiva. No vais a saber nada. Burden había ya experimentado esta vía escondiéndose dentro de la galería durante una exposición. Anda, vamos, no hay nada que ver. Pero aquí, es la desmaterialización radical última. Desaparezco.
Como si la performance, quizás, hubiera tendido sólo hacia esto. Finalmente. Sencillamente fuera. Fuera del área del arte. Tabla rasa. Desmaterialización cumplida. Desvanecerse.

O bien regresar. Pero en ese caso deshaciéndose del cuerpo. Y del gesto. The end of performance. En este caso. Regreso. A la casilla inicial. Los suizos Fishcli y Weiss ponen fuego a la pólvora: Der Lauf der Dinge (El curso de las cosas, 1987). Veintiocho minutos para decir que el arte es una verdadera dinamita. Una cadena de catástrofes provocadas una a costa de la otra como dominós que caen.

fishcli y weiss - der lauf der dinge