Monday, April 26, 2010
"Now's the time for all good men
to get together with one another.
We got to iron out our problems
and iron out our quarrels
and try to live as brothers.
And try to find a piece of land
without stepping on one another.
And do respect the women of the world.
Remember you all have mothers.
We got to make this land a better land
than the world in which we live.
And we got to help each man be a better man
with the kindness that we give.
I know we can make it.
I know darn well we can work it out.
Oh yes we can, I know we can can
Yes we can can, why can't we?
If we wanna get together we can work it out.
And we gotta take care of all the children,
the little children of the world.
'cause they're our strongest hope for the future,
the little bitty boys and girls.
We got to make this land a better land
than the world in which we live.
And we got to help each man be a better man
with the kindness that we give.
I know we can make it.
I know darn well we can work it out.
Oh yes we can, I know we can can
yes we can can, why can't we?
If we wanna, yes we can can."
Sunday, April 25, 2010
Tuesday, April 13, 2010
Basta. Já chega de ironia. Estou cansado. Vejo deja-vus por toda parte. Náusea de cultura pop, náusea de cultura pela cultura, náusea deste sem sentido transbordante. N`importe qu´oi. Às vezes penso que algumas pessoas são planas, que o mundo está parado, que tudo são linhas retas sem horizonte à vista________________________________ E é quando me lembro que tenho um deserto dentro de mim. E no fim o que nos resta são estes corpos, os nossos, distribuídos no espaço através do tempo. "É a vida", é o que dizem. E não podia ser diferente. Mas o fato (que não cansamos de esquecer) é que para estar vivo é preciso dar-se conta disso. É preciso viver. E aqui estamos, uma e outra vez. Incapazes de agir. Engolidos pelo vazio e pela eterna repetição. Pelos pequenos imensos caprichos. Pela desnecessidade transformada em fome. O estômago já não sabe mais dizer o que é alimento e o que é veneno. Tenho sede. Procuro novas águas. Procuro mergulhar e ser mergulhado. Tenho os ouvidos abertos. Procuro ouvir o sussurro. Um sussurro que seja um grito. Um grito que desapareça. Uma desparição que pareça uma dança. Uma dança que mate e faça viver. Um sussurro afiado de palavras que nada digam. Um som, uma voz, um eco que corte. Que me faça sangrar. Que me devolva a sensação de estar vivo. E assim eu devolvo tudo, tudo o que fui, o que sou e o que tive. Devolvo, sem ânimo de lucro. Ofereço meus pedaços aos carrapatos, vampiros e canibais. Me ofereço por inteiro. Esperando que não reste nada, rien, nothing. E daí vou sair para dias e noites, para um mundo sem planeta, um lugar que não exista, um buraco dentro de outro. E serei o que agora estas palavras escondem.
Wednesday, April 07, 2010
"Portanto pode-se dizer que quando, pela opressão e pela infelicidade, minha relação comigo mesmo se perde e se altera, fazendo de mim esse estranho e esse desconhecido de que me separa a distância infinita e fazendo de mim a própria separação infinita, a necessidade se torna a necessidade radical, sem satisfação, sem valor, que é a relação nua com a existência nua, mas se torna também a exigência impessoal que carrega sozinha o futuro, e o sentido, de todos os valores, ou, para falar com mais justeza, de todas as relações humanas. Pela necessidade passa o infinito que é o movimento do desejo. A necessidade é desejo e o desejo se confunde com necessidade. É como se, alimentando-se, não fosse a mim que eu alimentasse, mas sim acolhesse o Outro, hóspede não de mim, mas do desconhecido e do estranho"
Maurice Blanchot, A Conversa Infinita - Experiência Limite
Maurice Blanchot, A Conversa Infinita - Experiência Limite
Wednesday, March 31, 2010
Helena Katz - O Estado de S.Paulo
23 de março de 2010Nos últimos anos, uma preocupação sobre o que distinguiria uma pesquisa em dança de uma coreografia feita sem pesquisa começou a mobilizar, cada vez com mais frequência, as conversas nessa área. Sensível a esse cenário, o Programa Rumos Dança decidiu fazer dessa encrenca o seu foco e, corajosamente, propôs um edital para a exibição de processos de pesquisa e não dos espetáculos que deles resultam. A novidade mobilizou 504 inscrições de distintas regiões do Brasil. Desse total, uma comissão formada por Marcelo Evelyn (Teresina), Christine Greiner (São Paulo), Alejandro Ahmed (Florianópolis), Vera Sala (São Paulo) e Lia Rodrigues (Rio de Janeiro) selecionou 21 para serem apresentados em dez dias de progamação.
O principal saldo da inovação que caracterizou o seu décimo ano de existência foi ter dado visibilidade para o que já se intuía: ainda não está claro o que é processo de pesquisa em dança. A dificuldade em distinguir um processo de um produto final em fase de ensaio marcou a maior parte dos 21 projetos apresentados. Ora, se isso ocorre como um traço comum, há que se identificar o que produz tal situação e, depois, descobrir o que pode ser feito, daqui em diante. Discussões reunindo os participantes e a comissão de seleção, ocorridas durante algumas manhãs da intensa programação, colaboraram para que um pontapé inicial fosse dado na direção de um primeiro e indispensável ajustamento desses (des)entendimentos.
Não vale desanimar, ao contrário. Todos nós - público e artistas - viemos sendo treinados a encontrar/produzir somente espetáculos. Processos pedem habilidades cognitivas que ainda não desenvolvemos bem. Como se trata de preocupação recente, não poderiam mesmo existir respostas prontas. Sendo um processo, ele possivelmente estará em certo estágio de maturação, não coincidente com o de um outro processo. Como lidar com tais variáveis? Qual o papel que esse mostrar ocupa em relação ao que está sendo exibido? A quem interessa, de fato, essa atividade?
O Rumos Dança elegeu o blog como o espaço oficial e obrigatório de compartilhamento. Cada projeto selecionado precisou criar o seu blog e passar a tratá-lo como um registro público do seu processo, postando o que considerasse capaz de cumprir essa função. Cabe agora uma avaliação sobre a performance desses blogs em relação ao que se viu ao vivo nos três espaços escolhidos para as 21 apresentações: Teatro Coletivo, Centro Cultural São Paulo e a sede do Itaú Cultural. O que garante o blog? Vale refletir sobre a sua eficiência em duas pontas de atuação: na comunicação com o público e na produção da pesquisa.
A maioria mostrou coreografias um pouco mais e um pouco menos prontas. Mas os poucos que testaram outros modos de lidar com os materiais de dança deixaram claro que estavam implicados a promover uma mudança enorme. Que não se tratava somente de descobrir uma outra embalagem estética, mas sim, de questionar o que, de fato, determina quando uma obra de dança merece ser mostrada para uma plateia. O que está em jogo é uma nova relação de consumo com a dança, muito oportuna e instigante de ser questionada.
O único senão está na obrigatoriedade de escolher somente 4 dentre os 21, para terem a continuidade de sua pesquisa financiada pelo Itaú Cultural. Seria conveniente que essa exigência institucional fosse revista, na medida em que, em nome de ter produto para mostrar (sendo produto algo reduzido a um modelo convencional de espetáculo), estar sutilmente transformando o Rumos Dança em um concurso de processos de pesquisa, que tende a reduzir a importância do que está sendo proposto.
Há ainda um outro fato a ser destacado. O Rumos Dança convidou três trabalhos que já havia apresentado em 2001, 2003 e 2006 para abrir a sua edição 2010. E, mais uma vez, mostrou que está em sintonia fina com um outro assunto que, mais recentemente, vem surgindo na dança, e que diz respeito à reflexão a respeito das reencenações ? uma tendência que vem se fortalecendo internacionalmente. Reencenar é reapresentar, reler o que foi apresentado ou recriar? O que distingue uma coisa da outra? Qual o papel de cada uma dessas escolhas? Ou seja, com a riqueza do que reuniu, cumpriu bem o seu papel, pois deixou claro não nos faltam motivações para pensar sobre os rumos da dança no Brasil.
O principal saldo da inovação que caracterizou o seu décimo ano de existência foi ter dado visibilidade para o que já se intuía: ainda não está claro o que é processo de pesquisa em dança. A dificuldade em distinguir um processo de um produto final em fase de ensaio marcou a maior parte dos 21 projetos apresentados. Ora, se isso ocorre como um traço comum, há que se identificar o que produz tal situação e, depois, descobrir o que pode ser feito, daqui em diante. Discussões reunindo os participantes e a comissão de seleção, ocorridas durante algumas manhãs da intensa programação, colaboraram para que um pontapé inicial fosse dado na direção de um primeiro e indispensável ajustamento desses (des)entendimentos.
Não vale desanimar, ao contrário. Todos nós - público e artistas - viemos sendo treinados a encontrar/produzir somente espetáculos. Processos pedem habilidades cognitivas que ainda não desenvolvemos bem. Como se trata de preocupação recente, não poderiam mesmo existir respostas prontas. Sendo um processo, ele possivelmente estará em certo estágio de maturação, não coincidente com o de um outro processo. Como lidar com tais variáveis? Qual o papel que esse mostrar ocupa em relação ao que está sendo exibido? A quem interessa, de fato, essa atividade?
O Rumos Dança elegeu o blog como o espaço oficial e obrigatório de compartilhamento. Cada projeto selecionado precisou criar o seu blog e passar a tratá-lo como um registro público do seu processo, postando o que considerasse capaz de cumprir essa função. Cabe agora uma avaliação sobre a performance desses blogs em relação ao que se viu ao vivo nos três espaços escolhidos para as 21 apresentações: Teatro Coletivo, Centro Cultural São Paulo e a sede do Itaú Cultural. O que garante o blog? Vale refletir sobre a sua eficiência em duas pontas de atuação: na comunicação com o público e na produção da pesquisa.
A maioria mostrou coreografias um pouco mais e um pouco menos prontas. Mas os poucos que testaram outros modos de lidar com os materiais de dança deixaram claro que estavam implicados a promover uma mudança enorme. Que não se tratava somente de descobrir uma outra embalagem estética, mas sim, de questionar o que, de fato, determina quando uma obra de dança merece ser mostrada para uma plateia. O que está em jogo é uma nova relação de consumo com a dança, muito oportuna e instigante de ser questionada.
O único senão está na obrigatoriedade de escolher somente 4 dentre os 21, para terem a continuidade de sua pesquisa financiada pelo Itaú Cultural. Seria conveniente que essa exigência institucional fosse revista, na medida em que, em nome de ter produto para mostrar (sendo produto algo reduzido a um modelo convencional de espetáculo), estar sutilmente transformando o Rumos Dança em um concurso de processos de pesquisa, que tende a reduzir a importância do que está sendo proposto.
Há ainda um outro fato a ser destacado. O Rumos Dança convidou três trabalhos que já havia apresentado em 2001, 2003 e 2006 para abrir a sua edição 2010. E, mais uma vez, mostrou que está em sintonia fina com um outro assunto que, mais recentemente, vem surgindo na dança, e que diz respeito à reflexão a respeito das reencenações ? uma tendência que vem se fortalecendo internacionalmente. Reencenar é reapresentar, reler o que foi apresentado ou recriar? O que distingue uma coisa da outra? Qual o papel de cada uma dessas escolhas? Ou seja, com a riqueza do que reuniu, cumpriu bem o seu papel, pois deixou claro não nos faltam motivações para pensar sobre os rumos da dança no Brasil.
Tuesday, March 30, 2010
Monday, March 29, 2010
Monday, March 22, 2010
Teatro // João Lima quer saber quem somos nós
Bastaria a presença de uma única pessoa na plateia para o ator João Lima apresentar a performance O outro do outro. Na noite da última sexta-feira, o ator encontrou mais que isso no Teatro Hermilo Borba Filho para poder estabelecer um jogo com o público. Desenvolvido através do programa Itaú Rumos Dança, o espetáculo procura questionar o sentido de identidade ao explorar possibilidades que uma palavra dita no palco pode despertar.
Com iluminação chapada, sem mudança em relação à hora em que o público tem acesso ao teatro, Lima surge no palco como ele mesmo, vestido feito qualquer jovem em sua idade e se apresenta. Diz seu nome, profissão, relata lembranças de infância, descreve características físicas e cita fatos que podem ajudar a desvendar quem ele é, despejando sentimentos, números de RG, CPF, passaporte, conta bancária e senha.
Nesse momento, quando a hiperrealidade já parece encaminhada, a performance toma outro rumo. A iluminação e o figurino são os mesmos, mas agora o ator assume o papel do seu pai,da mãe, da namorada, de amigos, conhecidos, de um funcionário do teatro, do cantor Caetano Veloso. Assim, o ator mostra que, no palco, ele pode ser o quiser quando pronuncia o verbo ser na primeira pessoa.
Aos poucos, as palavras se aliam à expressão corporal do ator. Lima, então, simula variações de queda enquanto incorpora o World Trade Center, a Dow Jones, a maçã de Newton. Mas se as palavras bastam por si, os gestos se revelam abertos. A combinação do verbo permite que um mesmo movimento ganhe outros sentidos. Deitado no chão, ele pode ser um velho em coma ou uma criança observando o céu.
Seguro de que o público acompanha o raciocínio, Lima mais uma vez subverte o jogo. Ao imitar um lobo, ele não diz mais que é o bicho, mas um homem imitando o animal. E já sem explicações, surge um número de dança com movimentos de tai chi chuan e yoga. É o prenúncio do que vem depois, quando as luzes reacendem e dois microfones ficam à disposição para o público contar algo de si, gerando tensão entre os espectadores. Após muito silêncio e algumas confissões, sem mais palavras, o ator sai de cena. É o fim do espetáculo, as perguntas sobre quem é ele e quem somos nós, porém, continuam pulsando.
Friday, March 19, 2010
O outro do outro :: Única apresentação em Recife!
JORNAL DO COMMERCIO – CADERNO C
» ÚNICA APRESENTAÇÃO
Reflexões sobre a identidade
Publicado em 19.03.2010
A linguagem coreográfica, utilizada para refletir sobre a construção e a representação da identidade. Esta é a questão básica da performance que o bailarino João Costa Lima traz ao Recife, intitulada O outro do outro. A apresentação única na cidade acontece hoje, às 21h, no Teatro Hermilo Borba Filho (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife. Fone: 3232-2030). Os ingressos custam R$ 10 e R$ 5.
O outro do outro pode ser você mesmo ou uma terceira pessoa. Estas são apenas duas leituras diretas do título, que permitem extrair algumas camadas do solo: A visão que cada um tem de si, a que os outros constroem e como o encontro disto tudo influencia na formação da identidade, por exemplo. “Uma certa visão de homem plural”, resume João Costa Lima. O projeto buscava propor mecanismos de leitura e de composição da realidade/ficção.
Segundo João Costa Lima, por mais abstratos que estes temas possam parecer, o tratamento na obra é direto. “Antes de propor respostas, que não tenho, proponho algo para relativizar a ideia de identidade. Não existe uma só história”, acrescenta o artista, que escolheu trabalhar com o mínimo de meios (sem cenografia ou figurinos complexos).
Durante o processo de pesquisa, João Costa Lima fez algumas entrevistas. “Lancei questões que estavam mexendo comigo para diversos coreógrafos que conheci. Eles têm diferentes trajetórias, maneiras de pensar o corpo. As repostas deles mexeram com as minhas próprias formulações, minha maneira de pensar a cena”, afirma o bailarino. O público pode ter acesso às entrevistas, e outras informações sobre este processo criativo, no blog www.outrodoutro.wordpress.com.
O projeto O outro do outro foi aprovada no Rumos Itaú Cultural Dança (2009-2010). Após um ensaio aberto em Barcelona, onde mora o bailarino, o solo estreou na Mostra de Processos Rumos Dança, no último dia 10 de março, em São Paulo. “Esta a obra, por mais definida que esteja, está em processo. Quero transitar com este trabalho pelo Brasil e fora do País também”, avalia o bailarino. “Estou extremamente feliz, há seis anos não apresento nada meu aqui no Recife. Espero que isto possa ser mais recorrente. O Hermilo está sendo muito importante nisto, tanto como espaço físico como fomentador das artes cênicas, ele foi muito presente na minha trajetória”, completa. (E.B).
| FOLHA DE PERNAMBUCO - Sexta, 19 de Março de 2010 | ||
| Solo de dança é atração no teatro Hermilo Borba (clique aqui) | ||
| “O Outro do Outro” apresenta cenografia simples e objetiva | ||
| AMANDA SENA | ||
Do desejo de romper as fronteiras existentes entre os universos da dança e do teatro surgiu o espetáculo “O Outro do Outro”, que faz única apresentação amanhã, às 21h, no teatro Hermilo Borba Filho. O espetáculo apresenta a performance solo do pernambucano João Costa Lima, que há seis anos reside na Europa, onde estudou dança contemporânea.
Com uma cenografia simples, desapegada de grandes objetos cênicos, ou suporte de luz, o espectador é convidado a compor a cena de acordo com o que ele está vendo e com o que lhe é apresentado. Apesar de ter uma forma definida, Costa Lima afirma que o desempenho é um processo em aberto. “Nesse projeto eu estava interessado em trabalhar uma questão que faz parte do princípio do teatro e da dança, que é o encontro de uma pessoa assistindo, com a que está se apresentando”, diz o bailarino e coreógrafo, que complementa: “reconhecer o outro é muito importante. A partir daí desenvolvi uma pesquisa em torno da construção e da desconstrução da identidade e da multiplicidade de faces existentes nas pessoas”.
A montagem, que marca o retorno do artista aos palcos recifenses, tem um valor singular para ele. “Estou muito feliz em compartilhar o meu trabalho com as pessoas que eu conheço. Com a Cidade que está em mim. Essa apresentação pode trazer alguma direção interessante para se repensar o dramaturgia no Recife”, afirma.
“O Outro do Outro” estreou em São Paulo no último dia 10, e veio para Recife através de uma iniciativa do Centro Apolo Hermilo, que antecipa em primeira mão os resultados dos trabalhos apresentados na badalada Mostra de Processos Dança do Itaú Cultural. Os ingressos custam R$10 (inteira) e R$5 (meia-entrada).
Wednesday, March 10, 2010
AVANTE! - ATO PÚBLICO EM DEFESA DA TAMARINEIRA - SÁB 13 | ÁS 10H
comentário sobre a seguinte observação surgida em um grupo de email de alunos de Design da UFPE:
"a tamarineira vive em completo abandono, tornando-se desde muito tempo um depósito humano decrépito e imundo. A mudança irá revitalizar o local, valorizar o bairro, gerar emprego, impostos e renda, sem falar que existe um acordo de 50 anos onde a igreja que é dona da propriedade receberá um excelente aluguel que ajudará enormemente a manter as suas outras obras de caridade. Acredito que os doidinhos que lá vivem não serão jogados na rua, serão transferidos para outras unidades ou irão para outras entidades cuidadas pelos padres."
Deixa eu pensar, quem quiser pensa comigo, please.
Designers e não Designers,
O terreno, o financiamento ou a administração do Hospital não são privados já há longos 85 anos.
A Santa Casa já não possui poderes sobre a Tamarineira há longos 85 anos, há longos 85 anos ela é subsidiada pelo Estado, para o Estado, por nós, para nós.
Sintam-se enrolados, a divulgação da idéia de que a Tamarineira está entregue às moscas faz parte do projeto maior do interesse privado ditado de acordo com as vontades do mercado. Noções distorcidas de desenvolvimento são as primeiras a desconsiderar completamente as necessidades da comunidade. Falam de moscas quem não sabe que a Tamarineira além dos 160 leitos para pacientes internos , conta em suas três unidades de tratamento (CPTRAC – Centro de Prevenção e Tratamento de Alcoolismo; Helena Moura e Ulysses Pernambucano) com 1800 atendimentos mensais na emergência psiquiátrica.
Afora isso, quanto às questões ambientais envolvidas ou ameaçadas diante desse projeto ícone de modernidade: De que adianta falar em design sustentável se as questões ecológicas mais primárias são as primeiras a serem atiradas pela janela? Vamos falar em bom design e boa arquitetura. Vamos falar do Parque Dona Lindú. Projetado pelo grandioso Niemeyer o parque não consegue e muito me espanta que vá conseguir ainda passar de uma pocilga de concreto armado em plena costa litorânea.
Sendo pieguinhas, alguém aí tá sentindo calor? São noções vendidas e pré-concebidas de desenvolvimento, que estão sendo tão bem aceitas e importadas dos modelos econômicos nortistas há séculos, que vêm nos levando a engolir dentro e fora da nossa cidade qualquer possibilidade de verde. No momento, de que me adianta pensar em falar de soluções em design sustentável quando o shopping já estiver construído? Duas folhas de papel reciclado para enxugar as mãos nos banheiros? Privada e torneira automáticas para evitar o gasto de energia e água? Madeira sustentável nos sofás dos vãos do novo Shopping? Decoração Natalina com garrafas PET’s?
Não desmereço qualquer iniciativa em sustentabilidade, mas 6 hectares de mata preservada e reserva ambiental gritam por atenção embora dessa forma eu perca as chances de lucrar um bom dinheiro bolando algum projeto/produto sustentável pra pôr à venda na lojinha alternativa do Shopping Tamarineira (?!) (silêncio).
Vai uma água de côco? Assustador perceber que uma cidade do porte de Recife tem em sua geografia tão poucos parques de área verde e de socialização como o Sítio da Trindade, Jaqueira, Horto Dois Irmãos, 13 de Maio e por último, mas não menos importante Parque Dona Lindú. Falo por mim quando digo que uma raiva tempestiva me acomete toda vez que vejo mais uma mureta de compensados da MD ou GB a cada esquina. Me sinto num tabuleiro de W.A.R sem chances de vitória. Ponto pro concreto, pro asfalto e pra verticalização, afinal tudo isso tem muito a ver com status. Recife vai cada vez mais se encantando ingenuamente com essa perda de identidade cultural e memória arquitetônica.
Não é mesmo encantador viajar por terra ou por cinema para as grandes cidades do norte do mundo e perceber “Como são desenvolvidos!” “Quanto verde, quantos parques” “Que lindo o Central Park, Woody Allen”. Bairros góticos conservados por séculos, centros históricos pra que te quero? Recife, tão ingênua, vai se vendendo por milhares de verdinhas que tão pouco a pouco não dignificam nenhum desses mirabolantes projetos.
As propostas da administração da Tamarineira sempre se direcionaram no sentido de manter todo o espaço de uso público, as 3 unidades de saúde em funcionamento e abrir o parque da matinha ao público.
Se por hora nós até que engolimos a idéia de que junto a um shopping (embora pra mim Recife já esteja farta desses) a cidade irá ganhar DOIS MUSEUS sustentados pelo lucro do shopping (...) bom, minha desconfiança já começa daí. Quando na história desse nosso modelo econômico feroz algum empresário que se preze nega lucro de vendas pra poder financiar museu? Sinto-me subestimada quando tentam me jogar esse tipo de ladainha. Inclusive, vá lá que o terreno da Tamarineira é de fato grande (9,4 ha), mas com a boa safra de arquitetos que estão consumindo nossa cidade com grandes e bem intencionados projetos de desenvolvimento, acho difícil visualizar um projeto (que por sinal ainda não está nem acordado) que vá conseguir com compromisso:
Manter resquícios de mata, manter intacto o prédio TOMBADO, construir um estacionamento que nos cobre 5,50 por duas horas (sem querer entrar nesses méritos), e dois bons museus.
Deve ser difícil, e exaustivo na verdade, estar sempre pensando em seu umbigo, analisando e contabilizando as necessidades de uma maioria baseando-se somente na sua experiência particular de mundo. No entanto, mais difícil ainda pensar fora da caixa e perceber que além de nossas próprias vivências e necessidades existem outras emergentes e que surgem e nos acometem de prontidão inclusive, quando menos se espera.
E se algum familiar nosso necessitar de assistência médico-psiquiátrica de urgência? E no caso de famílias menos abastadas? Para onde seriam levados? Hospital da Restauração? Ou, quem sabe, pro futuro CARREFOUR da Av. 17 de Agosto pra comprar um paliativo qualquer onde antes funcionou a Casa de Saúde São José. Contabilizem as opções.
O risco fica por cada um? Pensar que isso aqui é uma selva não me conforta muito.
Abraços Tamarineiros,
Clra Simas.
Ps.: No email vai em anexo um arquivo de Word com uma coleta de materiais sobre o histórico e a condição atual da Tamarineira. Fica a dica.
Ps.2: SEM INGENUIDADE, Já não estamos na Idade Média onde a Igreja sempre representou uma entidade boa e caridosa sempre atenta às necessidades da minoria desprovida do básico e, ESPECIALMENTE, sempre cuidando tão bem de seus pacientes psiquiátricos. Salve a ironia. Dia desses vi um rapaz com uma camisa que resume pretty much everything: PEQUENAS IGREJAS, GRANDES NEGÓCIOS.
"a tamarineira vive em completo abandono, tornando-se desde muito tempo um depósito humano decrépito e imundo. A mudança irá revitalizar o local, valorizar o bairro, gerar emprego, impostos e renda, sem falar que existe um acordo de 50 anos onde a igreja que é dona da propriedade receberá um excelente aluguel que ajudará enormemente a manter as suas outras obras de caridade. Acredito que os doidinhos que lá vivem não serão jogados na rua, serão transferidos para outras unidades ou irão para outras entidades cuidadas pelos padres."
Deixa eu pensar, quem quiser pensa comigo, please.
Designers e não Designers,
O terreno, o financiamento ou a administração do Hospital não são privados já há longos 85 anos.
A Santa Casa já não possui poderes sobre a Tamarineira há longos 85 anos, há longos 85 anos ela é subsidiada pelo Estado, para o Estado, por nós, para nós.
Sintam-se enrolados, a divulgação da idéia de que a Tamarineira está entregue às moscas faz parte do projeto maior do interesse privado ditado de acordo com as vontades do mercado. Noções distorcidas de desenvolvimento são as primeiras a desconsiderar completamente as necessidades da comunidade. Falam de moscas quem não sabe que a Tamarineira além dos 160 leitos para pacientes internos , conta em suas três unidades de tratamento (CPTRAC – Centro de Prevenção e Tratamento de Alcoolismo; Helena Moura e Ulysses Pernambucano) com 1800 atendimentos mensais na emergência psiquiátrica.
Afora isso, quanto às questões ambientais envolvidas ou ameaçadas diante desse projeto ícone de modernidade: De que adianta falar em design sustentável se as questões ecológicas mais primárias são as primeiras a serem atiradas pela janela? Vamos falar em bom design e boa arquitetura. Vamos falar do Parque Dona Lindú. Projetado pelo grandioso Niemeyer o parque não consegue e muito me espanta que vá conseguir ainda passar de uma pocilga de concreto armado em plena costa litorânea.
Sendo pieguinhas, alguém aí tá sentindo calor? São noções vendidas e pré-concebidas de desenvolvimento, que estão sendo tão bem aceitas e importadas dos modelos econômicos nortistas há séculos, que vêm nos levando a engolir dentro e fora da nossa cidade qualquer possibilidade de verde. No momento, de que me adianta pensar em falar de soluções em design sustentável quando o shopping já estiver construído? Duas folhas de papel reciclado para enxugar as mãos nos banheiros? Privada e torneira automáticas para evitar o gasto de energia e água? Madeira sustentável nos sofás dos vãos do novo Shopping? Decoração Natalina com garrafas PET’s?
Não desmereço qualquer iniciativa em sustentabilidade, mas 6 hectares de mata preservada e reserva ambiental gritam por atenção embora dessa forma eu perca as chances de lucrar um bom dinheiro bolando algum projeto/produto sustentável pra pôr à venda na lojinha alternativa do Shopping Tamarineira (?!) (silêncio).
Vai uma água de côco? Assustador perceber que uma cidade do porte de Recife tem em sua geografia tão poucos parques de área verde e de socialização como o Sítio da Trindade, Jaqueira, Horto Dois Irmãos, 13 de Maio e por último, mas não menos importante Parque Dona Lindú. Falo por mim quando digo que uma raiva tempestiva me acomete toda vez que vejo mais uma mureta de compensados da MD ou GB a cada esquina. Me sinto num tabuleiro de W.A.R sem chances de vitória. Ponto pro concreto, pro asfalto e pra verticalização, afinal tudo isso tem muito a ver com status. Recife vai cada vez mais se encantando ingenuamente com essa perda de identidade cultural e memória arquitetônica.
Não é mesmo encantador viajar por terra ou por cinema para as grandes cidades do norte do mundo e perceber “Como são desenvolvidos!” “Quanto verde, quantos parques” “Que lindo o Central Park, Woody Allen”. Bairros góticos conservados por séculos, centros históricos pra que te quero? Recife, tão ingênua, vai se vendendo por milhares de verdinhas que tão pouco a pouco não dignificam nenhum desses mirabolantes projetos.
As propostas da administração da Tamarineira sempre se direcionaram no sentido de manter todo o espaço de uso público, as 3 unidades de saúde em funcionamento e abrir o parque da matinha ao público.
Se por hora nós até que engolimos a idéia de que junto a um shopping (embora pra mim Recife já esteja farta desses) a cidade irá ganhar DOIS MUSEUS sustentados pelo lucro do shopping (...) bom, minha desconfiança já começa daí. Quando na história desse nosso modelo econômico feroz algum empresário que se preze nega lucro de vendas pra poder financiar museu? Sinto-me subestimada quando tentam me jogar esse tipo de ladainha. Inclusive, vá lá que o terreno da Tamarineira é de fato grande (9,4 ha), mas com a boa safra de arquitetos que estão consumindo nossa cidade com grandes e bem intencionados projetos de desenvolvimento, acho difícil visualizar um projeto (que por sinal ainda não está nem acordado) que vá conseguir com compromisso:
Manter resquícios de mata, manter intacto o prédio TOMBADO, construir um estacionamento que nos cobre 5,50 por duas horas (sem querer entrar nesses méritos), e dois bons museus.
Deve ser difícil, e exaustivo na verdade, estar sempre pensando em seu umbigo, analisando e contabilizando as necessidades de uma maioria baseando-se somente na sua experiência particular de mundo. No entanto, mais difícil ainda pensar fora da caixa e perceber que além de nossas próprias vivências e necessidades existem outras emergentes e que surgem e nos acometem de prontidão inclusive, quando menos se espera.
E se algum familiar nosso necessitar de assistência médico-psiquiátrica de urgência? E no caso de famílias menos abastadas? Para onde seriam levados? Hospital da Restauração? Ou, quem sabe, pro futuro CARREFOUR da Av. 17 de Agosto pra comprar um paliativo qualquer onde antes funcionou a Casa de Saúde São José. Contabilizem as opções.
O risco fica por cada um? Pensar que isso aqui é uma selva não me conforta muito.
Abraços Tamarineiros,
Clra Simas.
Ps.: No email vai em anexo um arquivo de Word com uma coleta de materiais sobre o histórico e a condição atual da Tamarineira. Fica a dica.
Ps.2: SEM INGENUIDADE, Já não estamos na Idade Média onde a Igreja sempre representou uma entidade boa e caridosa sempre atenta às necessidades da minoria desprovida do básico e, ESPECIALMENTE, sempre cuidando tão bem de seus pacientes psiquiátricos. Salve a ironia. Dia desses vi um rapaz com uma camisa que resume pretty much everything: PEQUENAS IGREJAS, GRANDES NEGÓCIOS.
Sunday, March 07, 2010
Mostra de Processos Rumos Dança
Dia 10/03 às 19h no Teatro Coletivo, Sala 1 : O Outro do Outro (João Costa Lima) e Como Superar o Grande Cansaço? (Eduardo Fukushima)
O Outro do Outro
Pessoas são pessoas estão pessoas parecem pessoas imaginam pessoas revelam pessoas escondem pessoas oferecem pessoas beijam pessoas contratam pessoas maltratam pessoas olham pessoas excitam pessoas assustam pessoas ensinam pessoas aprendem pessoas comem pessoas cagam pessoas matam pessoas confundem pessoas alegram pessoas dançam pessoas sobem pessoas descem pessoas caem pessoas transportam pessoas fazem pessoas inventam pessoas descobrem pessoas pagam pessoas falam pessoas pensam pessoas sentem pessoas reviram pessoas transpiram pessoas assistem pessoas querem pessoas esquecem pessoas lembram pessoas
Direção e interpretação: João Costa Lima Colaboração dramatúrgica: Rita Natálio Colaboração ao movimento: Cecilia Colacrai Música: Christian Dergarabedian Apoios: Centro Cívico Barceloneta, tragantDansa e O Rumo do Fumo Agradecimentos: Núria Bernaus, Pedro Nuñez, Elena Castilla, Thiago Mello e Vera Mantero Duração aproximada: 50 minutos
Teatro Coletivo Rua da Consolação, 1623 informações 11 3255 5922 ingresso distribuído com meia hora de antecedência entrada franca
Monday, March 01, 2010
Sunday, February 28, 2010
Sunday, February 07, 2010
Friday, January 22, 2010
em processo
Escrevo ao final de uma semana intensa de ensaios. O processo está andando. Aparecem pessoas, surgem questões, portas se abrem para outras portas. Depois de ter explorado caminhos e possibilidades diversas, o momento agora é de fazer escolhas e de aprofundamento. É preciso definir o rumo do trabalho, permitir que ele aconteça. Mas criar sem excluir é tarefa difícil.
Estou confuso.
Estou confuso.
O que está acontecendo? Para onde estou indo? Qual é o reflexo disto tudo?
Que forma que esta coisa está tomando? E por que? Existe um X nesta questão, qual será ele?
Através dos outros surge a questão da identidade. O que entendemos por esta palavra? O que ela implica? O que constrói a nossa história? E me interesso pelas biografias, pelos detalhes, pelas palavras e nomes. Penso nas pessoas. As pessoas são pessoas, as pessoas fazem as pessoas. Penso nas subjetividades flexíveis, e me fascina o lugar físico que é a imaginação, o que nos permite ler e compor.
Alimentando a dúvida e buscando uma forma para o não-absoluto. Sem respostas, seguimos, aceitamos o caos e as dúvidas, neste mundo sem deus.
Wednesday, January 06, 2010
Saturday, December 26, 2009
algumas coisas que aconteceram em 2009
Rosário 12
Tres cuerpos en escena
La bailarina rosarina Cecilia Colacrai emigró a Europa en búsqueda de nuevos horizontes. De regreso, presenta dos obras junto al coreógrafo brasileño Joao Costa Lima y Carmen Pereiro. "Nos interesa la investigación en las propuestas escénicas", dijo.
Formada en Rosario, hace poco menos de ocho años Cecilia Colacrai emigró a Europa en búsqueda de nuevos horizontes. Allí, la bailarina y coreógrafa continuó su aprendizaje en paralelo con la participación en distintos proyectos, como los realizados para el Teatro Nacional de Catalunya o la compañía francesa Emmanuel Grivet. Más tarde, se contactaría con el coreógrafo brasileño Joao Costa Lima, junto a quien creó la obra Azul como uma laranja, puesta que mañana a las 22 se presentará en el Centro de Expresiones Contemporáneas, en una jornada que incluirá además la puesta en escena de Come Closer, proyecto generado por Costa Lima junto a Carmen Pereiro.
Colacrai dialogó con Rosario/12 y profundizó en el proyecto "Articulaciones", ése en el que artistas de Argentina y Brasil confluyen para generar propuestas como las que mañana se presentarán en el espacio de Sargento Cabral y el río. "La idea de Articulaciones fue justamente este encuentro entre Carmen, Joao y yo. Venimos los tres de lugares diferentes, pero tenemos un punto de encuentro en el interés por la investigación en las propuestas escénicas y la investigación del movimiento".
"Lo que incluye Articulaciones son estos seminarios que estamos dando (uno más dirigido a la investigación más pura de movimiento a través de técnicas, y el otro que tiene más relación en la composición en el espacio) --profundizó--. Y presentamos dos obras, una de Joao y Carmen que de alguna manera es el sitio que ellos encontraron después del tiempo que han estudiado y trabajado juntos. De alguna manera es al sitio que llegaron después de esa formación. Y `Azul como uma laranja` es una pieza que creamos con Joao, que surge a partir de un seminario que tomamos de Joao Fiadeiro, que se llama `Composición en tiempo real`. Ese fue nuestro primer lugar de encuentro, y a partir de ahí detectamos un interés en común por esto que tiene que ver con la creación. Empezamos a investigar y entramos en un proceso de trabajo del que surge Azul...".
Ustedes confluyen en Europa, donde completaron su formación, ¿pero es posible hablar de aspectos de la danza que tengan que ver con lo latinoamericano?
Creo que de alguna manera quizás no es casualidad que nos hayamos encontrado. No sé si tanto en el hecho artístico sino también en la manera de abordar los trabajos. Todo este proyecto es autogestionado, y quizás en Europa esto todavía no funciona, o se maneja diferente. Creo que sí, que los tres cuerpos que estamos en escena y estamos en este proyecto, evidentemente tenemos una impresión, una marca, un sello de dónde venimos, y creo que también por éso surge la necesidad y las ganas de venir a compartir este proyecto en los lugares de donde somos.
Lógicamente después de haber estado tantos años en Europa, y de haberse nutrido con otra información, usted no es la misma artista que se fue de Rosario hace casi ocho años.
Claro, porque más allá de la experiencia profesional está la experiencia de vida, lo que tiene que ver con el tiempo de estar habitando en un lugar que no es del todo tuyo. Cómo ese cuerpo que está en escena es el mismo cuerpo que se tiene que adaptar a otra sociedad y a otra cultura. Es el mismo cuerpo pero atravesado por todas esas informaciones. De alguna manera creo que todo éso influye, está ahí. Lo último que yo estuve haciendo en Rosario fue con La Troupe , "Catedrales", y trabajé muchos años con Cristina Prates en el taller, y con Ana Varela, que fue mi profesora muchos años. Todos ésos fueron mis referentes antes de irme. Creo que lo que es interesante de poder estar en otros espacios, de poder intercambiar con otros creadores de otras culturas, es la apertura que te da. Creo que viajar y conocer otra gente, otras maneras, otros caminos, es lo que más reconozco en ésa apertura.
Caderno Viver, Diário de Pernambuco.
Por Tatiana Meira - Diário de Pernambuco (31/10/2009)
DANÇA COM O VIÉS POLÍTICO
"Um projeto inédito no Recife termina hoje, com conferência de Isabelle Launay, professora e co-diretora do Departamento de Dança da Universidade de Paris 8, na Aliança Francesa, no Derby, às 17h. Articulações - Corps en Temps representa novidade por ter proporcionado três semanas de experimentação continuada numa oficina para um grupo de 15 criadores em dança, com técnicas nunca antes ensinadas na cidade, como o método Feldenkrais. E por ter possibilitado a apresentação no Teatro Hermilo Borba Filho do espetáculo A vida enorme - Episóde 1, de Emmanuelle Huynh, trabalho desenvolvido no Centro Nacional de Dança Contemporânea de Angers, na França, um dos pontos de vanguarda na formação e criação em dança na Europa.
A visão de fronteiras ampliadas ou borradas entre as artes integra a filosofia do Centro de Angers, onde o coordenador do Articulações, o pernambucano João Costa Lima, estudou por um ano, dos cinco em que vive na Europa. "Queria trazer esta experiência para cá, encarando a performance da dança a questões estéticas e políticas, levando em conta os pilares da experimentação, criação e formação", aponta João Lima, que ministrou o módulo de Observatório cenográfico, ao lado do artista plástico e cenógrafo francês Johann Maheut.
Elementos como espaço e sensorialidade e as relações entre o bailarino e ele mesmo, o outro e os outros foram alguns dos pontos explorados durante a oficina, que ocorreu no Espaço da Compassos, no Bairro do Recife e deixa como uma de suas sementes um blog, que continuará ativo ao término do curso (www.articulacoesblog.blogspot.com). "Fizemos exercícios simples, como o de composição com objetos como mesa, cadeira e lâmpada. Quando o bailarino se coloca numa posição específica, isto estabelece uma relação com o público e o imaginário que pode surgir a partir daí", descreve Johann Maheut.
Para Liana Gesteira, uma das bailarinas participantes da oficina e integrante da Cia. Etc., o mais pertinente nas três semanas de trabalho é poderarticular pensamentos por perspectivas diferentes, trabalhando a composição da cena na dramaturgia, algo que falta aos profissionais do Recife, por não estarem acostumados a desenvolver esta criatividade", opina. Juliana Japiassú defende que o Articulações foi importante para aguçar o olhar dos participantes, que passaram a contar com outras noções de espaço, antes mais ligadas à filosofia de Laban. "São outros códigos e linguagens, como os micromovimentos de Feldenkrais (na primeira etapa da oficina ministrada por Nuno Bizarro), que nos provocam a vencer preconceitos e buscar outras formas do fazer artístico", acredita Juliana, cuja mãe, a coreógrafa e professora Mônica Japiassú é uma das raras profissionas no Recife a ter feito formação em Feldenkrais (e que compareceu a dois dias de aulas). André Aguiar, do grupo Experimental, afirmou se sentir respeitado pelo trabalho, que valoriza a postura ativa dos artistas envolvidos e enfatiza as sensações, provocando os corpos a fugirem da mecanização dos movimentoscotidianos.
Incluído na programação do Ano da França no Brasil, o Articulações finaliza com o depoimento de Isabelle Launay em português - ela morou 15 anos no Brasil. João Costa Lima pontua que a conferência será feita em linguagem clara e direta, interessante até mesmo para quem deseja se iniciar nos questionamentos da dança contemporânea. "Isabelle é filósofa de estética e possui uma visão alargada da prática artística. Ela articula a vida cotidiana contemporânea com relações sociais, econômicas, antropológicas, evidenciando os fatores políticos da dança", destaca João Lima, que não descarta o desejo de voltar à cidade para compartilhar novos projetos."
Jornal do Commercio - Caderno C
Publicado em 13.10.2009
» DANÇA
ARTICULAÇÕES VALORIZA ARTE PERFORMÁTICA
Experiências de artes perfomáticas, realizadas tanto em Pernambuco quanto na França, se encontram durante o mês de outubro com a realização do projeto Articulações – Corps en Temps. O objetivo do evento, que está incluído na programação do Ano da França no Brasil, é promover um fórum de intercâmbio e formação em artes cênicas no Recife. A programação começa hoje, com o espetáculo A vida enorme/Épisode 1, e continua durante o mês com oficinas e uma conferência com a professora Isabelle Launay (FRA).
O dueto A vida enorme/Épisode 1, de Emmanuelle Huynh, com Catherine Legrand e Nuno Bizzaro, será apresentado às 21h, no Teatro Hermilo Borba Filho (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife). O espetáculo foi idealizado como um filme, no qual a trilha sonora e a imagem são apresentadas uma após a outra. Na primeira parte, que corresponde à trilha sonora, um homem e uma mulher dialogam através de poemas do português Herberto Lerder. No segundo trecho, o casal inscreve sua presença sobre o palco em percurso autônomos. A apresentação também faz parte da programação antecipada do 14º Festival Internacional de Dança do Recife. Ingresso a R$ 5.
“A vida enorme é um espetáculo bem sofisticado, que utiliza elementos da performance, som, luz e os corpos no espaço de uma maneira bastante direta. É uma instalação em movimento, nas palavras da criadora”, afirma o idealizador e coordenador do Articulações, João Costa Lima.
A concepção do evento pode ser relacionada à formação que Costa Lima experimentou na Europa, após diversas atividades em teatro e dança no Recife. Em 2006, ele integrou o Curso de Pesquisa e Criação Coreográfica do Forum Dança, em Lisboa, e em 2008 conclui a Formação Essais, no Centre National de Danse Contemporaine d’Angers (na França). “Tive formação bastante interdisciplinar, com dança, teatro e performance. Desde então venho pensando em trazer isso ao Recife”, diz Costa Lima, que reside em Barcelona e desenvolve um projeto de pesquisa coreográfica aprovado pelo Rumos Itaú Cultural Dança 2009.
Tenho interesse em trabalhar com um grupo heterogêneo dentro do estúdio e também de proporcionar à cidade, não só ao público especializado, um momento de reflexão e deleite estético”, diz o pesquisador. O estúdio a que ele se refere está relacionado a outra atividade do Articulações: o Atelier de Criação, uma formação intensiva e gratuita para dançarinos e atores e demais interessados nas artes performáticas.
Serão três oficinas, que acontecem no Compassos Estúdio de Danças. Uma delas é a Aproximação ao Método Feldenkrais e Improvisação, com o intérprete e coreógrafo português Nuno Bizarro. O artista plástico e cenógrafo, além de intérprete nas próprias performances, Johann Maheut ministra a oficina Observatório cenográfico. A terceira é Composição em movimento, na qual João Costa Lima trabalhará o movimento a partir dos sentidos fundamentais de percepção do corpo.
No próximo dia 31, o Articulações promove uma conferência com Isabelle Launay, que é co-diretora do Departamento de Dança da Universidade de Paris 8 Saint Denis (França).
Friday, November 20, 2009
Turnê Argentina
Cordoba
Azul como uma Laranja
20 de Novembro, 21h30 Sala Quinto Deva
Rosario
Composicion en Movimiento - Workshop orientado por Joao Costa Lima e Carmen Pereiro Numer de 23 a 26 de Novembro, das 13h as 16hs no Instituto Profesorado de DanzasAzul como uma Laranja + Come Closer
27 de Novembro, 22hs no Centro de Expresiones Contemporaneas
Buenos Aires
Composicion en Movimiento - Workshop orientado por Joao Costa Lima e Carmen Pereiro Numer dias 2, 3 e 4 de Dezembro das 15h as 18hs, Espacio Camargo 231
Come Closer
5 de Dezembro às 21h Teatro Ernesto Sábato
Tuesday, October 06, 2009
ARTICULAÇÕES - Corps en Temps
ARTICULAÇÕES – CORPS EN TEMPS é a realização de um fórum de intercâmbio e formação em artes cênicas no Recife, incluído na programação do Ano da França no Brasil.
A acontecer durante o mês de outubro de 2009, este evento incluirá oficinas de dança, composição, improvisação, teorias do corpo e cenografia, assim como a apresentação pública de uma conferência e um espetáculo.
Articulações propõe relações sociais pelo viés da arte. Surge do desejo e necessidade em conectar o corpo no tempo através do espaço, em plural, integrando pessoas, apesar das distâncias geográficas, econômicas e culturais.
Trata-se de um encontro de mundos, situando em Recife uma experiência de criação e investigação nas artes performativas atuais, na medida em que se envolve com artistas representativos da nova dança francesa.
Um processo de intercâmbio, que aqui apenas se inicia, desejando se multiplicar e vir a gerar novas formas de agir.
Sunday, October 04, 2009
de volta às origens. aqui. em pensamentos vacilantes. é estranho. reconheço o que está a minha volta e reconheço a mim. é estranho. reconheço que já não sou isto. reconheço o que fui e da onde venho. identifico as pessoas e lugares, as tensões e contrações. é estranho. sou daqui e já não sou. fui embora sem sair e voltei sem chegar. estranhíssimo. os lugares comuns, a propriedade privada, a naturalidade do inaceitável. estou vivo, vejo as diferenças entre o outro e eu, entre eu e eu mesmo, entre o outro do outro do outro. reviro as situações, encontro o extra no ordinário. sinto falta. e tanto desejo, e tanta ausência. na batalha entre o possível e o impossível. lutando contra a violência. e vejo a morte, as mortes, insignificantes. e a pobreza e a miséria, de espírito, da vontade, do ser. vejo o tempo agindo, destruindo o futuro. mas não, é mais difícil construir, resistir, vencendo. nascer e ser, adiante, tudo o que foi e que será.
Friday, September 25, 2009
o outro do outro
Aviso aos interessados: durante a pesquisa que estou realizando para o Rumos Itaú Cultural Dança, estarei mantendo um outro blog: www.outrodoutro.wordpress.com, fiquem à vontade para aparecer e acompanhar esta trajetória, os comentários serão muito bem vindos.
Apesar disto, o Dancer au danger não está acabando, trata-se apenas de uma distinção. No outro blog vocês encontrarão posts relacionados a pesquisa, enquanto que aqui vocês vão continuar encontrando coisas sem nexo aparente, imagens soltas, pensamentos descabidos e coisa que o valha.
Apesar disto, o Dancer au danger não está acabando, trata-se apenas de uma distinção. No outro blog vocês encontrarão posts relacionados a pesquisa, enquanto que aqui vocês vão continuar encontrando coisas sem nexo aparente, imagens soltas, pensamentos descabidos e coisa que o valha.
Tuesday, September 15, 2009
Monday, September 07, 2009
Indepêndencia?

" A tentativa de implantação da cultura européia em extenso território, dotado de condições naturais, se não adversas, largamente estranhas à sua tradição milenar, é, nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante e mais rico em consequências. Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas idéias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra."
Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda
foto de Pierre Verger, Recife, 1947.
Friday, August 14, 2009



É com prazer que anuncio que o meu projeto "O outro do outro" foi selecionado pelo Itaú Rumos Dança 2009-2010. Agora é "mãos a obra"!
Sunday, August 09, 2009
Monday, August 03, 2009
Caminhão, bazuca, pudim de leite, inverno, fotografia, osso, dinossauro, palito de dente, nunca, cerveja, diamante, sombra, vulcão, melodia, epopéia, trilogia, decálogo, monstro, caminho, xoxota, chuva, dinheiro, telefone, mesa, sofá, cadeira, geladeira, árvore, floresta, quase, pulmão, tripa, cabeça, yeah! Nuvem, guerra, felicidade, pau, esgoto, maracanã, muralha da China, Chernobyl, eternidade, xícara, sapato, espírito, oxigênio, hipopotomonstrosesquipedaliofobia, sabonete, shampoo, letra, fumaça, outro, inferno, olho, amarelo, subdesenvolvimento, vidro, relâmpago, trovão, elefante, girafa, baleia, D.N.A, deus, criança, propriedade, medo, big bang, abraço, dúvida, vértice, sorriso, brilho, urgência, tiroteio, barco, anonimato, viscosidade, pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, deslize, café, livro, sangue, notícias.
Algumas das coisas que cabem na minha boca e desaparecem na minha língua.
Algumas das coisas que cabem na minha boca e desaparecem na minha língua.
Friday, July 31, 2009
Sunday, July 05, 2009
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